| Aprendendo a contar |
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| Escrito por Adeilson Salles | |||||
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Ela chegou muito feliz da escola. Aquele dia tinha sido especial: ela aprendeu os números de 1 a 10. Dias atrás foi vista conversando com os próprios dedinhos, num diálogo muito interessante. Ela dizia: ─ Um, dois, três... – e apertava a ponta deles. Às vezes, voltava-se para a mãe e perguntava: ─ Mamãe, o que é que vem mesmo depois do três? ─ Quatro, minha filha! – a mãe respondia sorrindo. E ela continuava. ─ Quatro, seis, nove... ─ Não, Telminha, é quatro, cinco, seis, sete, oito, nove e dez! E Telminha repetia tudo com atenção. Naquele dia especial, ela contou até dez na classe. A professora aprovou e Telminha se encantou. E aprendeu a contar até vinte, até trinta, até cinquenta... E foi um tal de falar de números por um bom tempo. Agora era ela que fazia as ligações no telefone de casa. Ligava para o serviço do pai, ligava para a avó, e amava discar para as amiguinhas. E tem mais: Telminha contava tudo que acontecia em sua vida, ou seja, tudo ela enumerava. Ela contava quantas vezes o Pitoco latia. Pitoco era o cachorrinho dela. Contava quantas colheradas faltavam para acabar de comer a comida. Telminha ficou fã da matemática. Já ia me esquecendo: ela contava também quantas vezes seu pai lhe dizia que estava ocupado, quando ela queria brincar com ele. Ela sabia até quantos degraus tinha na escada de dentro da sua casa. Telminha morava num bonito sobrado. Contou até coisa triste: quantas vezes seu pai brigou com sua mãe, e quantas vezes a mandaram calar a boca. Mas Telminha contou quantos presentes ganhou em seu aniversário, contou também quantos brigadeiros comeu antes da festa. Teve um dia que ela bateu o recorde de contar: contou quantos passos deu até chegar a sua escola. O tempo foi passando e Telminha crescendo. Agora ela faz questão de contar todas as bênçãos de Deus em sua vida. Ela diz que essa conta ela não consegue terminar, porque Deus lhe dá tanta coisa que ela sempre perde as contas. Telminha agora cresceu e aprendeu que a vida é assim mesmo: um dia a gente enumera as coisas boas, e as coisas ruins é melhor não enumerar. Bom mesmo é agradecer a Deus por tantas coisas boas pra se contar.
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