Adenáuer Novaes \| Crer e Saber
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Os espíritos existem. Sou um espírito. Somos espíritos. Há os encarnados e há os desencarnados. Fazemos parte, todos, da humanidade. Como bem disseram os espíritos codificadores a Allan Kardec, somos os seres inteligentes da criação. Dentre aqueles que tomaram conhecimento dessa verdade, há aqueles que crêem e há os que não crêem. Dentre estes últimos, existem os que não querem crer, mesmo diante de muitos fatos e testemunhos que comprovam sua lógica e sua veracidade. São fanáticos por sua própria verdade e não abrem mão de sua ideologia, mesmo que contrarie a lógica. Podem agir assim, também, por identificação com outro sistema filosófico ou religioso no qual se sinta confortavelmente esclarecido. Num outro momento da vida poderão mudar de opinião, aprendendo algo que lhe possibilite uma melhor compreensão a respeito da vida e do universo. Há também aqueles que não crêem por falta de esclarecimento ou de contato com a dimensão subjetiva e espiritual. Estes podem, a qualquer momento, serem tocados por uma palavra, uma demonstração de carinho ou por algum evento que o desperte para a realidade do espírito. Para estes, a divulgação do espírito, de forma lógica e coerente, poderá ser catalisador de crescimento espiritual. Entre os que crêem, encontram-se aqueles que imediatamente passaram a compreender a lógica interna da doutrina espírita. Abraçaram com unhas e dentes sua crença e nela apóia sua existência. Fazem do espiritismo sua bandeira e lema de vida. Compreendem a importância de divulgar a mensagem espírita. Estão sempre de plantão para atender ao chamado de explicar o que é o espiritismo.

Há outros, e talvez seja uma minoria, que ultrapassaram a crença, para um estágio mais avançado de seu contato com as teses espíritas. Crêem, mas o fazem com uma maior consciência em relação ao impacto de sua crença na própria personalidade e, por conseqüência, em sua vida. Sua missão não é apenas divulgar o espiritismo, mas, principalmente, autotransformar-se, tornando-se a propaganda viva do que acredita. Não se ocupam pura e simplesmente de demonstrar sua crença, mas em testa-la em si mesmo. Não são missionários com carmas negativos pesados, mas pessoas comuns que descobriram o caminho do encontro com o sagrado em si mesmo.
Estes últimos descobriram o que é reforma íntima sem, impulsivamente, acreditar que se trata apensas de uma mudança de comportamento ou de uma proposta de adoção de uma crença externa. Perceberam que suas crenças deveriam se transformar em algo natural, sem que precisem estar se lembrando de conceitos ou de referenciar suas idéias. Tampouco são zeladores do conhecimento que querem disseminar, compreendendo que todo saber deve ser contextualizado. Estes não apenas acreditam, sabem. Não são sábios, pois entendem sua própria ignorância como responsável pelo seu crescimento contínuo. Entendem a diferença entre crer e saber, pois estabelecem uma distância entre o que leram o ouviram, do que se tornou acessível à memória, bem como daquilo que faz parte de sua própria natureza.

Quando se sabe sobre algo, entendendo saber como internalização e integração do conhecimento à personalidade, a vida se torna mais leve e mais suave. Talvez algo próximo do jugo leve a que se referiu Jesus. Alcançar a condição de saber requer experiências no tempo, nas quais as idéias são colocadas em cheque e a vida pessoal é posta à prova das relações sociais. É um trabalho longo e persistente de transformação da forma de sentir, de pensar e de agir.
Quem se encontra nessa condição, desejável a todo espírita, vive a vida como se navegasse um barco seguro em águas tranqüilas, velejando ao encontro do porto seguro da união divina. A existência no corpo é encarada de forma positiva, cujo espaço de tempo entre o nascer e o morrer é muito bem vivido e pacientemente corrido.

A crença nos espíritos, como seres desencarnados torna-se útil quando o indivíduo naquela condição, passa a se considerar um espírito, imaginando-se como tal, sem distinção em relação ao que vive fora do corpo. Vive no tempo, sem o tempo delimitado para realizar, nem pressa para fazer. Não espera quando precisa fazer, nem perde tempo naquilo que não lhe faz crescer. Relaciona-se com os espíritos como parte constituinte de seu próprio universo, entendo a diferença de vibrações e de dimensões. Não mais teme o contato com o espiritual, por compreender sua própria condição de ser inter-existente. Já passou da fase de pedinte do espiritual, pois entrou na condição de parte integrante da sociedade dos espíritos esclarecidos quanto à sua própria situação e que pode, por esse motivo, colaborar com o outro. Adotou a norma interna da caridade ao próximo sem esquecer de si mesmo, compreendendo o valor do estar bem com o bem do outro, tanto quanto sentir-se bem para fazer o bem. Saiu da condição de sofredor e vítima das circunstâncias para se colocar como autor de seu próprio destino e colaborador de Deus em Sua obra. Deixou de lado o dogmatismo religioso e a ortodoxia pedagógica para educar pelo exemplo, demonstrando o quão torna feliz aquele que tem a consciência de ser espírita por estar vivenciando intimamente suas teses.

O espiritismo proporciona um estado psíquico de despertar para si mesmo e para a grandiosidade da vida e de Deus. Ele é um instrumento de educação ao espírito, como uma ferramenta útil para uma melhor percepção de si mesmo.
Seria oportuno que, as instituições espíritas criassem um curso de reciclagem e treinamento para a formação de adeptos esclarecidos, crentes e sabedores de si mesmos.
Comentários
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Marli  - Reforma intima |2010-10-31 22:48:20
Boa noite,temos na Aliança Espirita Evangélica um curso com duração de três
anos onde além de aprendermos sobre a doutrina também nos são apresentadas
ferramentas para nosso conhecimento interior,o curso chama-se Aprendizes do
Evangelho e é maravilhoso,nos apresenta um Jesus que outras religiões não
mostram e nos estimula a fazer a tão dificil reforma íntima.Obrigada pelo
espaço.
alvaro  - Obrigado! |2011-10-02 06:59:12
Fica com Deus.
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