| Religião Viva |
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Toda religião objetiva levar o ser humano ao encontro com algo transcendente e que justifique a vida, bem como a tudo que dela faz parte. Nessa proposta, inclui-se a felicidade em viver e a adoção de práticas que permitam um estado de equilíbrio e paz. Não há religião que se proponha a conduzir o indivíduo ao contrário. Interpretações equivocadas de mentes perturbadas levaram pessoas ao desequilíbrio em nome de Deus. O papel da religião é conduzir o ser humano à conexão, em si mesmo, com Deus.
A prática religiosa também obedece a necessidades psíquicas inconscientes que constituem a estrutura da mente humana. Na mente, ou psiquê, existe um arquétipo que nos impulsiona àquela conexão. Sua atualização pode ser observada nas mais diversas manifestações da cultura religiosa e nos rituais ligados ao sagrado. Mesmo no indivíduo que se declara ateu ou descrente de qualquer religião, podem ser observadas manifestações vinculadas ao sagrado. Sua obstinação em negar uma religião ou crença tem a mesma intensidade da aceitação a uma religião. Inverte-se apenas a polaridade, porém o arquétipo é o mesmo. A religião que se pratica deve ser viva e transformadora. Isso significa que ela deve atuar nas diversas dimensões da vida da pessoa. A religião é viva quando seu exercício interfere adequadamente e de forma harmônica na vida comum da pessoa. A religião viva é aquela que nos proporciona felicidade, percepção do Si-mesmo e integração com Deus. Quando a religião não é viva, o indivíduo apenas possui o culto externo. Para se tornar uma religião viva é preciso que a crença de uma pessoa atinja a condição de poder impulsionar seu desenvolvimento pessoal, social e espiritual. Isso implica em interferir positivamente na relação consigo mesmo, na constelação familiar, no exercício profissional, na aplicação de sua cidadania e no desenvolvimento de sua espiritualidade. Na relação consigo mesmo, a religião viva deve promover gradativamente a maturidade e autodeterminação da pessoa, sem o inconveniente de se tornar egocêntrica nem vaidosa. Essa possibilidade é visível nas pessoas que, após afirmar-se numa religião, passam a considerar as outras, menores ou inferiores. Aqueles que não praticam sua religião passam a ser alvo de críticas e de menosprezo. São proprietários da verdade, por uma insegurança interna. Por esse motivo, sua religião não é viva, pois a tornou orgulhosa e estagnada. Quando a religião é viva, o indivíduo vai percebendo que sua personalidade sempre tem muito a aprimorar-se. Nesse sentido, já não percebe o mal fora de si mesmo, considerando-o parte integrante de sua personalidade. Na constelação familiar, a religião viva atua como elemento aglutinador natural, sem imposições ou doutrinações vazias. O núcleo familiar não sofre perseguições por atitudes de seus membros, contrárias à religião que se pretende difundir. Nesse sentido, a religião viva não separa nem proporciona desagregação do grupo. Mágoas e ressentimentos são resolvidos à luz dos princípios conscientemente adotados. A felicidade do grupo familiar é mais importante do que a aceitação desse ou daquele princípio. A religião viva é a do coração e, simultaneamente da consciência. No exercício profissional a religião viva atua como fator de aperfeiçoamento do espírito para fazer face aos desafios da vida cotidiana. O leva ao aprimoramento de seu conhecimento e de suas habilidades. Faz com que ele busque novas formas de aprender e crescer visando seu próprio progresso. Seu trabalho, cuja qualidade está de acordo com sua ética e seus propósitos evolutivos, é executado com prazer. A religião viva proporciona que o indivíduo desenvolva novas habilidades além de aprimorar aquelas aprendidas em suas experiências nas vidas pregressas. Na aplicação de sua cidadania a religião viva deve tornar o indivíduo mais consciente das obrigações sociais e mais responsável para com a sociedade na qual ele está inserido. Não o aliena nem o torna indiferente para com a melhoria da organização social. A religião viva o insere mais ainda na sociedade material, sem prejuízo de seu envolvimento com o espiritual. A religião viva deve tornar o indivíduo mais engajado no progresso social, bem como envolvido com os destinos de sua comunidade. No desenvolvimento de sua espiritualidade, a religião viva deve ser fator de consolidação dos valores já alicerçados na personalidade, visando a própria felicidade. A espiritualidade num indivíduo é sua consciência de ser espírito imortal, bem como a apresentação de uma forma de viver de acordo com esse princípio. A religião viva deve tornar o indivíduo mais conectado ao espiritual e consciente de suas potencialidades mediúnicas. O espiritismo deve ser praticado como uma religião viva, que insere o indivíduo no seu processo de autotransformação e no desenvolvimento coletivo. Torna-o mais feliz, contagiando seu meio com a fé raciocinada que o alimenta. Nós espíritas devemos mostrar o quanto o espiritismo nos renova interiormente e nos impulsiona para viver uma vida em harmonia. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
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