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Percebo o quão de transcendência está contido nas parábolas de Jesus. Recebi, de um grande e espiritualizado amigo, em dois volumes, comentários de Yogananda, distribuídos em 1642 páginas, sobre as parábolas de Jesus. O título dos livros é "The Second Coming of Christ (A segunda vinda de Jesus) e "The Resurrection of the Christ Within You" (A ressurreição do Cristo dentro de você). Um trabalho robusto e que merece ser entendido como um tributo ao Evangelho. De fato, ali, nas parábolas de Jesus, está algo extraordinário e profundo, a ser melhor estudado pelos ocidentais e orientais. Não creio que também não haja profundidade e transcendência em outros escritos (Torá, Alcorão, Livro dos Mórmons etc.). Os sinais que revelam a essência do Criador não têm proprietários. Aqueles trabalhos vindos de um yogue de incontestável espiritualidade demonstram a magnitude dos ensinamentos do Evangelho. Porém, tamanha luminosidade pode cegar os mais desavisados. Essa claridade, quando em contato com mentes frágeis, promove um processo de conversão e de alienação do ego, que assume, por identificação com o Self, uma postura de poder, inflado no complexo de deus. O excesso, em qualquer atitude consciente, requer um adicional de energia para ser liberado ou expurgado. E isso precisa ser bem assimilado para evitar-se alienação, fanatismo ou fundamentalismo. Quando Allan Kardec escreveu o livro que continha explicações das parábolas de Cristo, deu-lhe o nome de "Imitação do Evangelho". Sob orientação permanente dos Espíritos, alterou, prudentemente, para “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, construindo a obra para explicar, à luz do Espiritismo, aquelas luzes. Assim deveria ser. Porém, parece, por força da intensidade daquelas luzes, que está havendo uma inversão. Toma-se a parte pelo todo. O evangelismo parece querer se sobrepor ao Espiritismo.
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