| Alteridade na Diversidade |
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A crença na imortalidade da alma, por si só, não é suficiente para a com-preensão adequada da existência e comunicabilidade dos espíritos. Além da consideração de que se é um espírito imortal, é preciso entender que, após a morte do corpo físico, conserva-se a individualidade com todas as características de personalidade ad-quiridas na última encarnação. Não há santificação nem demonização do ser humano após a morte, independente-mente de sua crença religiosa. Em face da conservação da individualida-de do ser humano após a morte, é mister que se tenha consciência de quem se é, distinto do ser coletivo que massificadamente foi condicionado a viver e demonstrar. Desde a mais tenra infância, o ser humano é educado ao enquadre da igualdade de todos e a querer e ter de pertencer a um grupo coletivo. Luta pela igualdade de direitos e deveres, acreditando que todos são iguais. Nesse ínterim, esquece de que são todos individualidades imortais em busca do significado existencial. A desigualdade (todos são diferentes) é real em meio à igualdade de direitos e deveres. Viver em sociedade, manten-do sua individualidade, sem individualismo, parece ser o meio mais adequa-do a encontrar a realização pessoal. Se, de um lado, o indivíduo se isola da sociedade, corre o risco de aumentar seu egocentrismo; se, do outro, age de forma coletiva, vivendo de acordo com as regras, normas e padrões de conformidades perti-nentes a todos, não consegue se conhecer e realizar sua designação pessoal. Vale salientar a importância do respeito às diferenças, pois, muito embora seja a igualdade que une os seres humanos, as diferenças forjam o caráter e determinam a realização pessoal. A alteridade significa respeito ao outro, reconhecendo-o na sua integridade e em seus direitos. É também, simultaneamente, respeito a si mesmo, estabelecendo uma relação de independência e de conectividade. É na relação de alteridade que se cresce, que se alcança a possibilidade de verdadeiramente amar alguém, pois amor acontece quando se respeita, admira e se liberta o outro da posse.
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