Área do Internauta \| Não culpe os outros pela sua infelicidade
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Marta Lopes

 

Não me surpreende quando as pessoas se irritam ao ouvirem essa frase tão repetida: “Conheça-se a si mesmo”. Essa expressão tem sido usada desde a aurora da civilização e tem sido aplicada de maneira abusiva, especialmente durante as duas últimas décadas. As pessoas costumam dar conselhos vagos e generalizados, sem sugestões específicas sobre a maneira de fazer isso. Poucas vezes alguém nos diz se poderemos alcançar isso sozinhos, se será necessário um guia, um psiquiatra, um padre ou alguma pessoa mística. A afirmação de que “somente as pessoas superficiais conhecem a si mesmas” traz implícita uma idéia extremamente profunda. Ela sugere que o processo nunca chegará ao fim. É óbvio que nós temos um potencial muito maior do que poderemos vir a descobrir, e conhecer-se absolutamente é um processo irreal. Ele é, no máximo, um processo que nos leva para frente. Ainda assim, algum grau de autoconhecimento é essencial para a sobrevivência. Os outros só podem nos conhecer até a medida em que nós nos conhecemos. Devemos nos preocupar conosco antes de esperar que os outros o façam. Considerando que desenvolvimento pessoal é um processo que perdura por toda a vida, devemos descobrir como somos no momento – com dificuldades e incompletos. É através dessa descoberta amorosa que os outros arriscam e nos ajudam a aprender mais sobre nós mesmos. Se colocarmos restrições em nossos relacionamentos, teremos menos oportunidade de aprender. Se estivermos dispostos a dar, os outros darão em respostas. Se tivermos medo de descobrir nossas dificuldades, não poderemos esperar que os outros se sintam seguros o suficiente para fazê-lo, e permaneceremos estranhos.


O autoconhecimento requer constante reflexão sobre nós mesmos. Isso sugere um compromisso com os ilimitados poderes da mente e do corpo para mudar e crescer na direção desejada. Para isso, precisamos dar um basta ao autodesprezo e à autodecepção, observando da melhor forma possível, como podemos concretizar aquilo em que acreditamos. Somente aqueles que se dedicam a aceitar a si próprio podem aceitar os outros como são.

Somos totalmente responsáveis por nós mesmos. Não devemos sempre pensar que os culpados são os outros. Mesmo assim, estamos eternamente culpando forças externas pelos nossos sentimentos e atitudes, raramente perguntando por que estamos escolhendo agir ou reagir dessa maneira. Só obteremos felicidade e liberdade verdadeiras quando assumirmos total responsabilidade por quem e o que somos. Enquanto nos sentirmos à vontade para colocar a culpa nos outros, não será necessário que avaliemos e mudemos nossos próprios comportamentos. Culpamos nossos pais pela falta de amor e educação. Culpamos a sociedade que não nos permite sermos completamente livres. Culpamos aos amigos, os companheiros, os professores, até mesmo a vida. Enquanto culpamos, não sentimos necessidade de mudar nossas vidas. Afinal de contas, somos vítimas. Há aqueles que até mesmo condenam a Deus por seu infortúnio e infelicidade.

Já ouvi pessoas dizerem que nunca vão perdoar a Deus por ter feito uma coisa ou outra com elas. Mas que egos! Esses indivíduos se vêem desprotegidos e desesperançosos fazendo parte de uma existência em relação a qual não tem o mínimo controle. Recostam-se comodamente na autopiedade – esperando que os companheiros, a família ou Deus coloquem tudo nos seus devidos lugares. E, infelizmente, muitos deles desperdiçam um valioso tempo da vida esperando!

Relacionamentos não devem ser celeiros para nosso egoísmo, egocentrismo, raiva e desespero. Somente crescemos quando assumimos a responsabilidade por nossa alegria e felicidade. Isso não pode ser gerado de fora para dentro. Felicidade e paz duradouras vêm de dentro para fora. Quando as temos, então as pessoas e os acontecimentos vêm e vão, mas a alegria permanece conosco eternamente. Se não fosse assim, então poderíamos comprar prazer eterno. Ter dinheiro suficiente para comprar coisas que nos fazem felizes, ou aumentem as possibilidades para nossa felicidade, significa muito, mas não é tudo.

Ao preferir a felicidade ao desespero, somos capazes não só de gerá-la, mas de torná-la contagiante.


Texto extraído da revista Delfos – Ano 8 – Edição 04 – Nº 32  

 

 

Comentários
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Leo  - Parabéns Portal |2009-03-22 18:17:00
Parabéns pelo maravilhoso artigo!
Humberto  - Todos deveriam refletir sobre esse assunto. |2010-01-09 18:29:01
É impressionante como as pessoas não param para refletir sobre esse assunto ou
ouvem alguém lhes falar e concordam com a pessoa, mas não põem em prática o
que ouviram ou, ainda, se surpreendem ao verem alguém jogar nelas mesmas a
culpa pelos seus problemas.
O reconhecimento da própria culpa é tão
importante para explicar os nossos problemas como a aceitação de que somos
seres imortais e que estamos aqui justamente para aperfeiçoar o que fizemos
antes (a reencarnação).
Cecilia Oliveira  - A questão também é cultural |2010-02-27 12:20:06
Concordo plenamente com a Marta, mas se me cabe aqui um ponto de vista; tudo ao
que ela se refere,faz parte também de uma questão de cultura e educação por
parte de nossos pais.Nossa geração não educada para olhar para dentro e sim
ao contrário, fomos educados para agradar aos outros; a melhor comida era para
as visitas, os melhores talheres e serviços de mesa, enfim tudo e sempre.
Tínhamos que beijar pessoas que não gostávamos só para mostras com éramos
educadinhos, fofinhos...e todos "inhos" possíveis. Isso foi gerando
culpas, medos necessidade de agradar o "outro" só agora as duras penas
na idade madura estamos feito a Águia, nos livrando do que não nos serve mais,
renovando atitudes, para o verdadeiro vôo: Ser livre, em espírito,mente e
coração. Assumirmos nossos atos, sejam bons ou não, sem colocar nossa
felicidade na responsabilidade de ninguém, esta é uma habilidade que só a
nós diz respeito; mesmo porque felicidade é um estado de espírito e muito
relativa neste mundo em que vivemos.
Crescer dói, mas vale muito a pena.
Julian  - Carta para Dn Menina |2011-05-17 10:02:19
Eu concordo e admiro o texo e a forma de pensar da autora e dos prezados
colegas. Porem, apenas acrescentando, digo que realmente isso tudo é bem mais
complexo, pois é dificil ser expecifico no que provem e reflete em tantos
fatores que envolvem o assunto em contexto. O autoconhecimento é um processo
infindo de compreenção da nossa parte, responsabilidade e interação com meio
em que vivemos e considero impossível a desassociação e correlação em tudo
quando penso que, tudo provem de determinado ponto de vista, referente a valores
e experiências preteritas e como tudo no nosso espaço tempo, de certo modo
ciclico e efêmero. É complicado ser simples quanto a isso tudo, porem como
falo em ponto de vista, me vem na cabeça que tudo é simples quando já
compreendido. Minhas sugestões momentaneas são a busca da ascendencia moral
atravez da descentralização da responssabilidade comum, onde cada um volta a
compreender e exercer realmente a vida contando com sigo mesmo acima de tudo, e
perante à Deus, estando cônscio de sua responsabilidade para cons outros e
exercendo o respeito e a união pela razão e pelo raciocínio. Religião é
abto e o que qualifica o abto é a intenção.
Abaixo, copiei e colei um
texto meu que foi um email de resposta à uma amiga.
Com Deus!
Julian

Dn. Menina

....ai é que está o "gatilho" ! Não é
porque agente é pequeno que somos insignificantes ! Nada grande existe sem a
união com afinidade das pequenas partes! E, não é porque sem nós, mesmo que
"pequenos", nada maior existiria, que devemos nos julgar mais
importantes que um ou outro ! Agente interfere em tudo, em todos, e em todo e
qualquer problema ativamente mesmo que distantes ! O pensamento é energia, e
reverbera em um plano que não enxergamos, mas usamos constantemente tal qual os
" Tels Celulares" e "TVs" que com seus sinais atravessam
atmosferas e continentes com suas " radioatividades" !
A força e
duração de um pensamento, é relativa à "qualidade" e à força da
intenção empregada ao produzi-lo !
Não tem como sermos " insignificantes
" ! Tudo é por nós ! Tudo "somos nós" ! " Façamo-nos mais
significantes " ! Externando nossas melhores idéias, com as mais
enfáticas e qualitativas intenções possíveis ! E não pra significar
"mais que os outros" e sim pra fazer jus à nossa parte e dar maior
significado a nossa responsabilidade!
A minha frase é : " -
Descentralização da responsabilidade comum ! " A "realidade",
que todos nós transformamos em utopia!
Eu acredito em semente ! E
você...?

JRD
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