| Não culpe os outros pela sua infelicidade |
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Não me surpreende quando as pessoas se irritam ao ouvirem essa frase tão repetida: “Conheça-se a si mesmo”. Essa expressão tem sido usada desde a aurora da civilização e tem sido aplicada de maneira abusiva, especialmente durante as duas últimas décadas. As pessoas costumam dar conselhos vagos e generalizados, sem sugestões específicas sobre a maneira de fazer isso. Poucas vezes alguém nos diz se poderemos alcançar isso sozinhos, se será necessário um guia, um psiquiatra, um padre ou alguma pessoa mística. A afirmação de que “somente as pessoas superficiais conhecem a si mesmas” traz implícita uma idéia extremamente profunda. Ela sugere que o processo nunca chegará ao fim. É óbvio que nós temos um potencial muito maior do que poderemos vir a descobrir, e conhecer-se absolutamente é um processo irreal. Ele é, no máximo, um processo que nos leva para frente. Ainda assim, algum grau de autoconhecimento é essencial para a sobrevivência. Os outros só podem nos conhecer até a medida em que nós nos conhecemos. Devemos nos preocupar conosco antes de esperar que os outros o façam. Considerando que desenvolvimento pessoal é um processo que perdura por toda a vida, devemos descobrir como somos no momento – com dificuldades e incompletos. É através dessa descoberta amorosa que os outros arriscam e nos ajudam a aprender mais sobre nós mesmos. Se colocarmos restrições em nossos relacionamentos, teremos menos oportunidade de aprender. Se estivermos dispostos a dar, os outros darão em respostas. Se tivermos medo de descobrir nossas dificuldades, não poderemos esperar que os outros se sintam seguros o suficiente para fazê-lo, e permaneceremos estranhos. Somos totalmente responsáveis por nós mesmos. Não devemos sempre pensar que os culpados são os outros. Mesmo assim, estamos eternamente culpando forças externas pelos nossos sentimentos e atitudes, raramente perguntando por que estamos escolhendo agir ou reagir dessa maneira. Só obteremos felicidade e liberdade verdadeiras quando assumirmos total responsabilidade por quem e o que somos. Enquanto nos sentirmos à vontade para colocar a culpa nos outros, não será necessário que avaliemos e mudemos nossos próprios comportamentos. Culpamos nossos pais pela falta de amor e educação. Culpamos a sociedade que não nos permite sermos completamente livres. Culpamos aos amigos, os companheiros, os professores, até mesmo a vida. Enquanto culpamos, não sentimos necessidade de mudar nossas vidas. Afinal de contas, somos vítimas. Há aqueles que até mesmo condenam a Deus por seu infortúnio e infelicidade. Já ouvi pessoas dizerem que nunca vão perdoar a Deus por ter feito uma coisa ou outra com elas. Mas que egos! Esses indivíduos se vêem desprotegidos e desesperançosos fazendo parte de uma existência em relação a qual não tem o mínimo controle. Recostam-se comodamente na autopiedade – esperando que os companheiros, a família ou Deus coloquem tudo nos seus devidos lugares. E, infelizmente, muitos deles desperdiçam um valioso tempo da vida esperando! Relacionamentos não devem ser celeiros para nosso egoísmo, egocentrismo, raiva e desespero. Somente crescemos quando assumimos a responsabilidade por nossa alegria e felicidade. Isso não pode ser gerado de fora para dentro. Felicidade e paz duradouras vêm de dentro para fora. Quando as temos, então as pessoas e os acontecimentos vêm e vão, mas a alegria permanece conosco eternamente. Se não fosse assim, então poderíamos comprar prazer eterno. Ter dinheiro suficiente para comprar coisas que nos fazem felizes, ou aumentem as possibilidades para nossa felicidade, significa muito, mas não é tudo. Ao preferir a felicidade ao desespero, somos capazes não só de gerá-la, mas de torná-la contagiante. Texto extraído da revista Delfos – Ano 8 – Edição 04 – Nº 32
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