| 2010: Continuamos Dizendo SIM ao Bem |
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Por: Flávio Rezende* Como a virada do ano para minha família não inclui as badalações públicas, e as bebidas alcoólicas não encontram guarita em nossos corpos, acordamos cedo praticamente todos os dias de nossas vidas, com raríssimas exceções, principalmente agora que temos a doce Mel com seus 40 dias de vida e, alguns choros nas madrugadas, por causa das tradicionais cólicas que os bebês são acometidos até ajustamento corpóreo completo a nova existência material. Como sempre sucede ao despertar, depois da ingestão de alimentos saudáveis e de algumas tarefas no lar, caminho para celebrar a vida, agradecer a existência e traçar o roteiro do dia, o que fiz hoje com variações no coração, fruto dos diferenciados momentos que meu caminhar proporcionou. Num primeiro momento, encontrei uma turma de jovens, acredito que chegando de alguma farra envolvendo bebidas. Eufóricos, aparentando ar de superioridade, passaram jogando garrafas na via pública, provocando transeuntes e em voz alta bradando gritos que não entendi significado. Escapei! Já na beira da praia a famosa “catinga” e lixo de toda espécie, denunciavam uma noite que, eu outro artigo, comentarei detalhes e significados. A caminhada parecia direcionada para visões de bêbados ao léu, entulho sendo recolhido e outras negatividades quando, o ser espiritual, aquela parte de nós que comanda tudo, que é o nosso verdadeiro EU, o espírito, a alma. O EU SOU, ou seja, lá como você nomina, procurou a beleza da vida, a luz da natureza e direcionou meus olhos e sentimentos para o mar. Indiferente à sujeira e à energia esquisita que pairava no ar, lá estava ele incólume, imponente, da mesma maneira que foi e que é como a divindade, que a despeito de tudo, simplesmente É. Do mar meu ser mirou o céu, límpido, as nuvens, o Morro do Careca que embeleza a praia de Ponta Negra, em Natal, onde caminho, tudo perfeito, belo, irretocável. Meus pensamentos, antes mergulhados em jovens deselegantes, lixo a bam-bam, seres com andares desalinhados e fedentina presente, mudou o foco e passou a experimentar a suave e gostosa sensação da natureza e de sua magia intrínseca. Com outro eixo, os pensamentos mudaram e comecei a pensar no que fiz em 2009. Relembrei algumas passagens com os jovens e os idosos da Casa do Bem. Estivemos em vários hotéis no projeto Hotel do Bem, aprendemos o que faz um garçom, uma camareira, um gerente, tomamos banho de piscina e nos alimentamos. Lembrei da gente conhecendo os pontos culturais e turísticos do Rio Grande do Norte no projeto Cultura do Bem. Jovens de todas as idades e os mais velhos no Planetário, no maior cajueiro do mundo, no Marina Badauê, Ma-noa, no Forte dos Reis Magos, bairros históricos, museus, institutos, praias, equipamentos diversos, no Teatro Alberto Maranhão, tudo na paz, quantas coisas aprendemos juntos, vendo in-loco, que maravilha. Caminhando e pensando no bem revivi emoções da gente da Casa do Bem jogando bola com nossa escolinha de futebol, dançando com nosso grupo de dança Ritmo Bom, capoeirando com nosso mestre Petinha, surfando com os voluntários Ventura, Nelino e Josenilson, cantando sob a regência de Cristina Nagahama no Coral Infantil da Casa do Bem e no Grupo Vocal Casa do Bem. Juntos estivemos em vários locais em apresentações memoráveis. Seja com o coral, com os capoeiristas, com o grupo vocal ou com as bailarinas do bem, cantamos ou dançamos para a governadora, na Árvore do Mirassol, em teatros, congressos e eventos diversos, elevando nosso nome e dando mais alegria a todos. Recebemos doações diversas e diminuímos a distância dos mais pobres para os mais ricos. Amenizamos a fome de alguns, entregamos roupas, calçados, material escolar. Dando um passo a mais já na beira da praia, lembrei do Cursinho Cidadão, com jovens tendo aulas de graça para prestar o Vestibular e o Enem. Passamos o ano todo de 2009 mergulhados no bem. Não entendo de filosofia, de psicologia e nem de nada. Sou jornalista e só o que sei é escrever. Não tenho idéia do que estamos fazendo. Não enquadro em nenhum método o que realizamos. Não sei onde tudo isso vai chegar. Sigo minha intuição, meu coração. Sempre gostei de ajudar, isso faz parte de minha natureza. Desde pequeno sou assim. Se alguém quiser teorizar, disser que isso é isso ou aquilo, fique a vontade. Na realidade atuamos em todas as áreas, no esporte, na cultura, no lazer, na educação, no social, promovemos pequenas reformas em lares, incentivamos doações e repassamos para quem precisa, estamos sempre em atividade. Em 2010 provavelmente teremos nossa sede própria concluída. Já assinei documentos neste sentido. Em breve anunciaremos os detalhes. Resumo tudo que faço em duas palavras: boa vontade. Percebo que direciono minha vida a cada ano, para amenizar a dor do próximo ou para incluí-lo de alguma maneira num lugar melhor. Tenho recebido ajuda de muitos. Alguns são voluntários no cotidiano, verdadeiros seres do bem, como Glaydson, Ventura, Nelino, Josenilson, Cristina Nagahama, Petinha, Cidas, Didi, Deinha, Éder, Taio, Dalua, ajudando cada qual a seu modo, a causa do bem. Ao fim da caminhada, já embriagado por tantos bons pensamentos do que fizemos em 2009, pensei que tudo isso, mesmo sem um amparo filosófico, psicológico e nem religioso, já que não seguimos uma linha doutrinária, tendo entre nós católicos, evangélicos, devotos de Sai Baba, de Krishna e até quem não acredita em nada, só pode mesmo ser coisa boa, ter alguma utilidade para alguém. Não pensamos em momento algum em algum tipo de retorno. Não somos políticos, não temos pretensões pessoais nessa área, nem de ganhos monetários. Mergulhamos com o corpo e a alma no serviço voluntário e acredito que podemos sim, ajudar alguém. Passamos o ano de 2009 dizendo sim ao bem. Pensando assim mergulhei no mar, pedi a existência para lavar com o sal e a água algum julgamento, mau pensamento e, que removesse minha ignorância, para que com a mente mais lúcida, mais clara, mais divina, possa perceber de maneira cada vez mais real, que nós, todos nós, na verdade somos UM. * É escritor, jornalista e ativista social em Natal ( Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. )
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