O Centro Espírita e a prática mediúnica Imprimir E-mail
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Amaral P.

Dissemos que os Espíritos superiores somente às sessões sérias acorrem, sobretudo às em que reina perfeita comunhão de pensamentos e de sentimentos para o bem. [...] Se quereis respostas sisudas, haveis de comportar-vos com toda a sisudeza, na mais ampla acepção do termo, e de preencher todas as condições reclamadas. Só assim obtereis grandes coisas. Sede, além do mais, laboriosos e perseverantes nos vossos estudos, sem o que os Espíritos superiores vos abandonarão, como faz um professor com os discípulos negligentes. (O Livro dos Espíritos, Introdução, Item 8, FEB – 76ª Ed. 1995).

As reuniões de planejamento e organização das atividades doutrinárias e de assistência fraterna, em algumas instituições espíritas, têm sido realizadas com frequência por suas diretorias e trabalhadores. No entanto, observa-se que algumas ainda não incluíram a área mediúnica na pauta de discussão, visando à prática da caridade no sentido amplo proposto pelo Espiritismo.

Os motivos alegados por alguns espíritas para a não realização da prática mediúnica são diversos: não sabem como organizar este setor de atividade; a diretoria não tem interesse neste tipo de atividade; o centro espírita não conta com espaço adequado ou com médiuns ostensivos; [...] e por último, uma justificativa que merece reflexão: o movimento espírita atual não prescinde (não necessita mais) das comunicações com os Espíritos, através dos diversos tipos de mediunidade e dos médiuns.

Allan Kardec, na Revista Espírita de abril de 1866, já alertava para a opinião que se desenvolvia na época: Nada de comunicação dos Espíritos. Alguns pretendiam fazer um Espiritismo sem os Espíritos. Neste artigo Kardec refuta esta proposta, lembrando que as comunicações dos Espíritos fundaram o Espiritismo. Repeli-las depois de as haver aclamado, é querer sapar o Espiritismo pela base, arrancar seus alicerces. Tal não pode ser o pensamento dos espíritas sérios e devotados(...) É nessas comunicações que os espíritas encontram alegria, consolação, esperança; é por elas que compreenderam a necessidade do bem, da resignação, da submissão à vontade de Deus; é por elas que suportam com coragem as vicissitudes da vida (...)

Já vencendo a primeira década do Século XXI, ainda observamos a existência de centros espíritas sem reuniões mediúnicas, importantes espaços de atividade onde se possam obter boas comunicações dos Espíritos, fundamentais para a formação ou vivência espiritual do dirigente espírita, demais médiuns e colaboradores.
Sem as reuniões mediúnicas espíritas como se difundirá o Espírito do Senhor, através de mensagens e orientações superiores, que nos chegarão pelos emissários do Cristo, conforme foi registrado no livro que anota os Atos dos Apóstolos?

Nos últimos tempos, diz o Senhor, difundirei do meu Espírito sobre toda carne; vossos filhos e filhas profetizarão; vossos jovens terão visões e vossos velhos, sonhos. (Atos, cap. II, vv. 17 e 18.)

E Kardec, perfeitamente sintonizado com os Espíritos Superiores, utilizando-se de diversos médiuns em várias reuniões mediúnicas, arremata: Quis o Senhor que a luz se fizesse para todos os homens e que em toda a parte penetrasse a voz dos Espíritos, a fim de que cada um pudesse obter a prova da imortalidade. Com esse objetivo é que os Espíritos se manifestam hoje em todos os pontos da Terra e a mediunidade se revela em pessoas de todas as idades e de todas as condições, nos homens como nas mulheres, nas crianças como nos velhos. É um dos sinais de que chegaram os tempos preditos. [...] Os Espíritos vêm instruir o homem sobre seus destinos, a fim de o reconduzirem à senda do bem, e não para o pouparem ao trabalho material que lhe cumpre executar neste mundo, tendo por meta o seu adiantamento, nem para lhe favorecerem a ambição e a cupidez. [...] Como intérpretes do ensino dos Espíritos, têm os médiuns de desempenhar importante papel na transformação moral que se opera. (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo 28, item: Para os Médiuns. FEB).

Se a proposta de trabalho pauta-se no Espiritismo com os Espíritos, organizar as reuniões mediúnicas espíritas é frente de trabalho prioritário e a referência segura e atualíssima ainda é O Guia dos Médiuns: “O Livro dos Médiuns” de Allan Kardec.

A contribuição do médium Francisco Cândido Xavier, através das centenas de livros recebidos por via psicográfica e psicofônica em diversas reuniões mediúnicas, reforça a necessidade de incluir-se a área mediúnica como relevante e imprescindível setor do centro espírita, destacando que cabe às lideranças espíritas a implantação da mesma. Chico Xavier, médium que se disciplinou para a prática mediúnica, reconheceu em todas as décadas de seu mediunato a superioridade dos ensinos organizados pelo Mestre Francês, nunca se afastando desta orientação e sempre se denominando um “cisco”.

Emmanuel, Espírito responsável pela atividade mediúnica de “Cisco Xavier”, nos relata que André Luiz, ao publicar o livro Desobsessão, em 1964, tinha como meta arregimentar novos grupos de seareiros do bem que se proponham reajustar os que se veem arredados da realidade fora do campo físico. Os que estão “fora do campo físico” são os Espíritos, a serem atendidos nos grupos mediúnicos.

É natural o aparecimento de dúvidas ou dificuldades quando se desejam implantar ou consolidar a atividade mediúnica, na casa espírita. Sem esmorecer, busquemos o apoio de espíritas com maior experiência; visitemos outras instituições com atividades mediúnicas já implantadas; estudemos os livros e apostilas elaboradas pelas federativas e demais órgãos de unificação; participemos de encontros e outros eventos sobre as atividades espíritas, mas não fiquemos de braços cruzados e pernas imóveis.

Planejar, organizar, estudar e preparar com bom-senso as atividades mediúnicas é agir com sisudeza, expressão linguística em desuso na atualidade, mas que indica agir com seriedade, responsabilidade, comprometimento com uma tarefa nobre e útil.

Como espíritas temos aprendido o valor do tempo, na bênção da reencarnação. Omitirmo-nos ou não agirmos na dinamização das tarefas espíritas é perder tempo. Emmanuel, no livro Seara dos Médiuns psicografado por Chico, nos alerta para os benefícios da prática mediúnica, a fim de que saibamos evitar todo o erro, enquanto desfrutamos o favor do bom tempo.

Revista RIE - Dezembro de 2009

Comentários
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eduardo  - pesquisa espírita |2010-02-23 09:26:21
- Reunião de Desobsessão:

Há uma recomendação difundida no movimento
espírita brasileiro para que
não se permita a presença de assistidos em
reuniões de desobsessão
realizadas nas casas espíritas e muito menos
exercitar a mediunidade fora
do centro espírita. E o que se observa é que
essa sugestão é, amiúde,
fundamentada nalgumas obras psicografadas,
principalmente em livros do
espírito André Luiz, através das mediunidades
de Francisco Xavier e de
Waldo Vieira, e nalgumas psicografias do médium
Divaldo Franco. A própria
Federação Espírita Brasileira (FEB), em seus
textos e manuais, também
recomenda essa diretriz para tais
reuniões.

Kardec, trata deste assunto completamente diferente na Revista
espírita
descrevendo os procedimentos do grupo a qual pertencia o Sr. Dombre
em
processos de desobsessão em Marmande. A passagem citada, contida na

Revista espírita de fevereiro de 1866, não é a única que relata os fatos

ocorridos em Marmande, há ainda outras cinco citações, respectivamente em

fevereiro, março e junho de 1864, janeiro de 1865 e em junho de 1867.

Todas essas descrições do Sr. Dombre sobre os fatos ocorridos em Marmande

e circunvizinhança trazem os procedimentos de seu grupo no acompanhamento
e
cura de processos obsessivos. Um dos casos mais interessantes é, sem

dúvida, o da jovem Thérèse B., que tinha crises regulares, todas as

tardes, havia mais de oito meses, narrado nos textos de 1864. Ao entrar em

contato com o guia espiritual do médium, Sr. L., que acompanhara o Sr.

Dombre, foram instados a evocar todas as noites o espírito obsessor e a

moralizá-lo, chamando-o pelo nome de Jules. Do dia 11 de janeiro, dia da

primeira reunião, ao dia 18, os procedimentos foram feitos regularmente na

casa da jovem vitimada pela grave obsessão, com as presenças de parentes e

da própria menina. É no dia 16 de janeiro que Jules, o espírito obsessor,

vira-se para a jovem e diz: "Terna criança (se dirige à sua vítima

presente à sessão), tu que escolhi por minha presa, como o abutre a doce

pomba, ora por mim, e que o nome de condenado se apague de tua memória.

Recebi o batismo de amor das mãos do anjo do Senhor, e hoje visto a roupa
da
inocência. Pobre criança, desejo que tuas preces dirigidas por mim ao

Senhor me livrem logo do remorso que vai-me seguir como uma expiação

justamente merecida" (Kardec, 1993a, p.176). Ao final do relato do Sr.

Dombre, Kardec tece alguns comentários: "Devemos um justo tributo de

elogio aos nossos irmãos de Marmande, pelo tato, a prudência e o

devotamento esclarecido dos quais deram prova nessa circunstância. Por
este
brilhante sucesso, Deus recompensou sua fé, sua perseverança e seu

desinteresse moral, porque nisso não procuraram nenhuma satisfação de

amor-próprio; provavelmente, não teria ali ocorrido o mesmo se o orgulho

tivesse deslustrado a sua boa ação" (p.178). Os textos falam por si, não

seriam necessários comentários adicionais, mas por conta da evidência,

ressalta-se o procedimento do Sr. Dombre nesse caso, que mantém a presença

da menina (de apenas treze anos!) durante a evocação do espírito que a

atormenta; e, mais importante, os comentários gravemente elogiosos de
Kardec
aos procedimentos corretos do grupo de Marmande, refutando qualquer
hipótese
de fundamentar a ausência do assistido nas reuniões de
desobsessão
através de textos kardecistas.

Já no texto de janeiro de 1865, num novo
relato de cura de obsessão feita
pelo círculo espírita de Marmande,
vê-se outra jovem, também de treze
anos, Valentine Laurent, ter crises
convulsivas que se renovavam várias
vezes por dia. Após o uso de recursos
...
Ingrid,Fernanda  - Tambem Sou Espirtas adoro espiritismo |2010-07-30 13:56:32
adorei
SUELI  - mediunidade |2011-01-12 16:32:43
para leitura
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