Bondade e Justiça Imprimir E-mail
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Redação

A bondade é a qualidade ou caráter de bom; é benevolência; indulgência, benignidade, clemência.

A justiça é a conformidade com o direito, a virtude de dar a cada um aquilo que é seu.

É bondosa e justa a justiça humana? Certamente, ainda não. Ela é fruto dos homens e, por isso mesmo, ainda imperfeita. Vai se aprimorando no curso do tempo, acompanhando a evolução da humanidade em geral, e dos povos e nações em particular. Um dia chegará lá.

Deus, contudo, é soberanamente justo e bom, cujas leis se revelam sábias nas mais pequenas coisas como nas maiores, como coloca Kardec no item 14 do capítulo II de A Gênese.

Refletindo sobre a justiça divina, pode alguém perguntar:

– Deus castiga?

O espírita sabe que Ele nos criou simples e ignorantes. Sabe, também, que nos estabeleceu como meta a atingir tornarmo-nos sábios e benevolentes.

No mundo material a lei é a regra de direito ditada pela autoridade estatal e tornada obrigatória para manter, numa comunidade, a ordem e o desenvolvimento.

No universo inteiro, das leis divinas, como coloca o Codificador em seu comentário após a questão 617 de O Livro dos Espíritos, “umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta: as leis físicas, cujo estudo pertence ao domínio da Ciência; outras dizem respeito especialmente ao homem considerado em si mesmo e nas suas relações com Deus e com seus semelhantes. Contêm as regras da vida, do corpo, bem como as da vida da alma: são as leis morais.”

As leis divinas impulsionam nossa evolução e nos educam, motivando-nos a mudar para melhor nossos hábitos, de maneira voluntária e consciente, consistindo nisso o processo de reforma íntima.

A justiça divina tem a ver com a lei de causa e efeito.

Faltas, erros, culpa, vícios, maldade, crueldade, são causas maléficas.

Somos punidos – diz Kardec em O Livro dos Espíritos, 764 – naquilo em que havemos transgredido as leis morais, nesta existência ou em outra. “Se fomos causa de sofrimento para nossos semelhantes, viremos a nos achar numa condição em que sofremos o que tenhamos feito sofrer”. Esses os efeitos.

A punição que se receba resulta da revolta contra Deus e negação da Providência, de um lado, e propensão para as paixões degradantes, sentimentos anti-fraternais do orgulho, do ódio, do ciúme, da cupidez, enfim, a predominância de apego a tudo que é material, de outro. (Obras Póstumas, segunda parte, Regeneração da Humanidade)

A justiça divina está diretamente ligada a cada boa ou má ação nossa, cujas consequências, positivas ou negativas, nos inserem no contexto do ensinamento de Jesus “a cada um segundo as suas obras”.

Assim, a lei de causa e efeito tanto é justa, dando a cada um aquilo que é seu, quanto é bondosa, promovendo a educação moral e premiando as atitudes de bem, amor e caridade.

Essa lei nos estimula também buscarmos ser bons e justos em nossas manifestações com o próximo, inclusive reparando eventuais danos que lhe tenhamos causado.

À proporção que nos corrigimos, vamos nos poupando à punição imposta pela lei de causa e efeito que castiga nossos defeitos.

Deus nos criou imortais e perfectíveis.

À medida que vamos nos conscientizando da existência e da eficácia de Suas leis, a razão vai nos conclamando a segui-las, com vistas à nossa própria felicidade.

Importante utilizar nosso livre-arbítrio na direção certa, exercitando a bondade e a justiça.

Revista RIE - Janeiro de 2010
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