Ortotanásia Imprimir E-mail
Artigos Revistas

Abel Glaser

Com o título “Senadores aprovam projeto que torna legal a ortotanásia”, a Folha de São Paulo do dia 3 de dezembro de 2009, à página C-9, publica matéria a respeito.

Diz a reportagem que o projeto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça no dia anterior e que o próximo passo, se não houver recurso, é seguir para a Câmara dos Deputados, ficando depois sujeito à sanção do presidente da República.

O termo ortotanásia, diz a reportagem, significa deixar de realizar certos procedimentos que prolongariam a vida de pacientes com doenças graves e incuráveis, evitando o sofrimento desnecessário; deixar de fazer uso de meios extraordinários e desproporcionais em situação de morte iminente e inevitável de pacientes terminais.

Pelo projeto, a ortotanásia pode ser aplicada desde que o diagnóstico tenha sido atestado por dois médicos e haja consentimento do paciente.

O tema é polêmico.

Em 2006 o Conselho Federal de Medicina aprovou uma resolução dizendo que o médico poderia suspender tratamentos e procedimentos que prolonguem a vida de doentes terminais e sem chances de cura, desde que a família ou o paciente concorde com a decisão.

Essa resolução foi cassada pela Justiça no ano seguinte.

Em 2005 o Ministério Público e a OAB já tinham condenado medida semelhante proposta pelo Conselho Médico de São Paulo, por entender que era eutanásia, prática ilegal pela qual se busca abreviar a vida de um doente incurável. Nessa ocasião, para o presidente da Comissão de Bioética e Biodireito da OAB-SP, a resolução é um crime, uma vez que a legislação proíbe qualquer forma de auxílio ao suicídio ou à prática de homicídio, o que seria o caso.

O novo Código de Ética Médico, que passa a valer a partir de abril, permite que os profissionais não adotem ações terapêuticas inúteis a pacientes terminais sem chance de cura, ou seja, libere a ortotanásia.

A suspensão dos procedimentos, nos moldes do projeto, pode ser realizada, por exemplo, num paciente terminal com câncer que tem uma parada cardíaca. “Existe motivo para reanimá-lo, com entubação, massagem? Não.” Afirma o presidente do Conselho Federal de Medicina, à reportagem.

É lícito pecar por omissão – perguntamos nós –, deixando de fazer pela vida o que pode ser feito?

Na nossa visão é equivocado o conceito de ações terapêuticas inúteis, mesmo porque, no entendimento espírita, não existe vida inútil.

Se há avanço tecnológico, permitido pelo Alto, deve ele preservar a vida e não banalizá-la.

Podendo fazer algo pela vida humana, e não o fazendo, é descaso.

“Minorai os sofrimentos derradeiros, quanto o puderdes, mas guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro”, afirma S. Luís em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo V, item 28.

“Todo momento que o espírito passa ligado à carne é proveitoso; ele está aprendendo algo, ainda que seu corpo físico esteja em estado de inconsciência. Nada ocorre por mero acaso e ninguém é levado a esse estado por ‘sorte’ ou ‘azar’. Trata-se de um período necessário para preparar o ser ao desenlace. Pode ficar dias, meses ou anos em preparo; afinal, diante da vida eterna, qualquer que seja o período, será sempre ínfimo”, acentua Rubião, com o aval de Cairbar Schutel, no livro “Eutanásia – Salvação do corpo, aflição do espírito, página 69, publicado pela Editora Alvorada Nova.

Uma coisa é encarar a morte com naturalidade, mas, na visão espírita, visualiza-se, também, o bem-estar do Espírito após o seu desligamento do corpo material.

O espírita, por conhecer como é o lado de lá, não tem medo da morte.

Todavia entre não temer a morte e malbaratar a vida há grande distância.

A literatura espírita, por outro lado, está repleta de casos da chamada “experiência de quase morte”. O momento derradeiro, verdadeiramente final, a Deus pertence.

Generalizar o tema, oficializando a ortotanásia, nivelando por baixo, é uma postura materialista.

Revista RIE - Janeiro de 2010
Comentários
Adicionar
Escrever comentário
Nome:
Email:
 
Título:
 

3.25 Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."

 

COLUNISTAS

Adenauer Novaes
Décio Iandoli
Frederico Menezes
     
José Medrado
José Nicanor
Kau Mascarenhas
     
Pablo Capistrano
Ribamar Tourinho
Roberto Lúcio
     
Robson Pinheiro
Adms Auni  

LOGIN

BLOGS

Blog do José Medrado

Kau Mascarenhas

Blog do Quico

Blog Djalma Argolo

Blog Dr. Décio

Blog - Adenáuer Novaes

MENSAGENS

Portal Kids