| O viaduto dourado |
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Rogério Coelho
“O Apóstolo dos Gentios, ao deixar aflorar a sublime cantata, como que pirografou em pedra, portanto, com letras indeléveis, o que viria a ser ratificado pelo ínclito Mestre Lionês1: “Fora da caridade não há salvação.” “Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem; mas, dentre elas, a mais excelente é a caridade.”2 Segundo Kardec3 , de tal modo compreendeu o apóstolo Paulo essa grande verdade que disse: “Quando mesmo eu tivesse a linguagem dos anjos; quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios; quando tivesse toda a fé possível, até ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. Dentre estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade. “Coloca assim, sem equívoco – continua Kardec com sua lógica e lucidez –, a caridade acima até da fé. É que ela está ao alcance de toda gente: do ignorante como do sábio, do rico como do pobre e independe de qualquer crença particular. Faz mais: define a verdadeira caridade, mostra-a não só na beneficência, como também no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo.” Segundo ainda esclarece Allan Kardec4 , quando formos submetidos à avaliação de nossa passagem pela Terra, o juiz inquirirá tão-somente de uma coisa: se a caridade foi praticada, e se pronunciará assim: “Passai à direita, vós que assististes os vossos irmãos; passai à esquerda, vós que fostes duros para com eles.” Informa-se, por acaso, da ortodoxia da fé? Faz qualquer distinção entre o que crê de um modo e o que crê de outro? Não, pois Jesus coloca o samaritano, considerado herético, mas que pratica o amor do próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade. Não considera a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas como a condição única. Se outras houvesse a serem preenchidas, Ele as teria declinado. Desde que coloca a caridade em primeiro lugar, é que ela – implicitamente – abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça etc... e porque é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo. Em seguida, o Mestre Lionês ainda aduz categórico1: “Caridade e humildade, tal a senda única da salvação; egoísmo e orgulho, tal a da perdição”. Dois milênios se passaram e é ainda o mesmo “Bandeirante do Cristianismo nascente” quem nos adverte5: “Meus filhos, na sentença: ‘Fora da caridade não há salvação’ estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no Céu. Na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no Céu, porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida, encaminhando-o para a Terra da Promissão. Nada exprime com mais exatidão, nada resume tão bem os deveres do homem como essa máxima de ordem divina. Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua origem do que a apresentando como regra, por isso que é um reflexo do mais puro Cristianismo. Levando-a por guia nunca o homem se transviará. Dedicai-vos, assim, meus amigos, a perscrutar-lhe o sentido profundo e as consequências, a descobrir-lhe, por vós mesmos, todas as aplicações. Submetei todas as vossas ações ao governo da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal como também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa”. Ratificando os assertos do “Vidente de Damasco”, S. Vicente de Paulo afirma6: “A caridade é, em todos os mundos, a eterna âncora de salvação; é a sua própria virtude, dada por ele à criatura. Como desprezar essa bondade suprema? Qual o coração, disso ciente, bastante perverso para recalcar em si e expulsar esse sentimento todo divino?” Adverte o célebre escritor francês Victor Hugo7: “A prática das nobres ações é o que nos aproxima do Criador, o viaduto dourado, o cabo luminoso que liga o ser humano ao Onipotente!...” 1 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 83.ed.Rio de Janeiro:FEB, 2002, capítulo XV, item 5. 2 - Paulo, I Cor., 13:13 3 - KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 121.ed. Rio de Janeiro:FEB, capítulo XV, item 7 4 - Idem Ibidem, capítulo XV, item 3. 5 - KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 121.ed. Rio de Janeiro:FEB, capítulo XV, item 10. 6 - Idem Ibidem, Capítulo XIII, item 12. 7 - GAMA, Zilda. Redenção. Rio de Janeiro: FEB, cap. IV, livro V. Revista RIE - Janeiro de 2010
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