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Eliseu Mota Júnior
Seria possível regenerar um perigoso psicopata, autor de inúmeros crimes, apenas com tratamento médico experimental?
Esse é o tema central do filme Control, no qual Lee Ray Oliver (Ray Liotta), depois de brutalmente seviciado na infância e de ter assistido ao assassinato da própria mãe, torna-se um sociopata altamente violento e perigoso, mata várias pessoas e comete uma série inominável de outros delitos gravíssimos, acabando por ser condenado à morte. Quando está prestes a ser executado por injeção letal, recebe uma chance de continuar vivo, com a condição de submeter-se a um secreto tratamento experimental, que será desenvolvido por uma grande empresa farmacêutica, visando curar os seus instintos assassinos.
O Dr. Michael Copeland (Willem Dafoe), criador da nova droga chamada Anagress, supervisionará a tentativa de transformar o violento e criminoso Lee Ray num ser humano normal, esperando-se que assim possa dar o seu contributo social. Ainda que hesitante, Lee Ray aceita a proposta, mas sempre pensando em fugir. Ocorre que a experiência causa-lhe profundo remorso, que é agravado por intensos pesadelos com suas vítimas. Então, mais controlado e submisso ao tratamento, ele é transferido para um apartamento e induzido a procurar um emprego, onde se enamora da bela jovem Teresa (Michelle Rodriguez), tudo isso sob severo e sofisticado monitoramento eletrônico.
Mas os pesquisadores não contavam que os efeitos da experiência levassem o paciente a procurar suas vítimas, na tentativa de expiar seus erros. Acontece que Lee Ray não é compreendido pelos parentes dos ofendidos, que, paralelamente com a polícia, passam a persegui-lo com brutal violência. Visivelmente desesperado, o paciente reage na mesma proporção e busca o auxílio da namorada e do médico responsável pelo tratamento. Como se trata de uma obra de ficção, o trágico final do filme torna duvidoso o resultado dessa interessante experiência e não permite concluir se o criminoso está ou não regenerado.
Do ponto de vista espírita, é altamente improvável que apenas um tratamento médico experimental possa induzir, na mesma encarnação, um criminoso desse tipo à regeneração, porque, na realidade, trata-se de um Espírito impuro reencarnado e assim propenso a todos os vícios que geram paixões inferiores, como a crueldade, a sensualidade, a hipocrisia e outras não menos degradantes. Comete crimes por mero prazer e, por aversão ao bem, elege suas vítimas entre pessoas honestas, conforme elucida Allan Kardec no item 102 de O livro dos Espíritos.
Por outro lado, de acordo com o Código Penal da Vida Futura (O céu e o inferno, capítulo VII), a regeneração integral é composta pelo arrependimento, pela expiação e pela reparação dos danos, que são as três condições necessárias para apagar as marcas de uma falta e suas consequências. O arrependimento pode ocorrer em qualquer tempo, mas se tardar o culpado sofre por mais tempo. A expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais que lhe são decorrentes, até que sejam suprimidos os últimos vestígios do erro, seja na vida atual, seja na vida espiritual ou em nova existência corporal. A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se fez o mal.
Em suma, o arrependimento sincero, a expiação dos equívocos e a completa reparação dos danos causados por um sociopata dessa natureza somente serão alcançados através de sério e exaustivo trabalho de persuasão, durante e após o encarceramento, o que naturalmente exclui a pena de morte. Mas isto não impede que a ciência penitenciária desenvolva pesquisas, buscando a regeneração experimental de criminosos endurecidos, pois ainda que eles não aproveitem integralmente a obra pedagógica que busca fazê-los progredir no que lhes resta de vida, facilitará sua continuidade no mundo espiritual e em futuras encarnações. Revista RIE - Fevereiro de 2010
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