Guerras e outros flagelos destruidores Imprimir E-mail
Artigos Revistas

Rogério Coelho

Sempre decorre um bem de um mal aparente e temporário; preciso
é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados.

“(...) E haverá terremotos em diversos lugares e ouvireis falar de guerra, porque assim deve acontecer”. - Jesus. (Mc., 13: 7 e 8).

Enquanto sob a pressão da chuva inclemente derretiam as encostas das montanhas em Angra dos Reis e Ilha Grande, levando casas e vidas de roldão, explodia mais um homem bomba no Oriente Médio... Somando-se o número das vítimas fatais desses dois eventos chega-se a quase duas centenas, com outros tantos feridos.

O colombiano Gabriel García Márquez, prêmio Nobel de literatura em 1982, por ocasião dos mesmos eventos em Santa Catarina, comentou: “Se Deus existe, Ele Se esqueceu de Santa Catarina”; e agora – provavelmente – diria: “Esqueceu-Se de Angra dos Reis e do Oriente Médio”.

Mas, bem ao contrário do respeitável laureado pelo Nobel de literatura, Kardec vai provar que Deus é bom e nada – absolutamente nada – acontece sem o Seu consentimento. Ele trata – em sequência – desses dois temas: Flagelos Destruidores e Guerras, no capítulo VI da 3ª parte de “O Livro dos Espíritos”, abrangendo as questões de número 737 a 745. E aí vamos entender que tudo – simplesmente – se resume ao âmbito dos desdobramentos da Lei de Causa e Efeito, existindo nessa equação um importante elemento chamado “reencarnação”, exercendo um dos papéis principais.

Muitos de nós voltamos ao proscênio terrestre para resgatar nossos débitos escabrosos que estavam onerando nossa economia espiritual. Uma vez livres deles, podemos seguir em paz as trilhas da evolução – aqui ou no Além.

“A infinita sabedoria de Deus preside a tudo” – ensina Allan Kardec (1) – “Sua bondade apresenta-se na solicitude que dispensa a todas as criaturas por mais ínfimas que sejam. A Sua previdência encontra-se na razão de ser de todas as coisas, entre as quais nenhuma inútil se conta. E está também no bem que sempre decorre de um mal aparente e temporário”.

Perguntando aos Espíritos com que finalidade fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores, eles responderam (2): “(...) Para fazê-la progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam.

Essas subversões, porém, são frequentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos. (...) A vida do corpo bem pouca coisa é. Um século no vosso mundo não passa de um relâmpago na Eternidade.

Logo, nada são os sofrimentos de alguns dias ou de alguns meses, de que tanto vos queixais. Representam um ensino que se vos dá e que vos servirá no futuro. Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, formam o mundo real. Esses os filhos de Deus e o objeto de toda a Sua solicitude. Os corpos são meros disfarces com que eles aparecem no mundo. Por ocasião das grandes calamidades que dizimam os homens, o espetáculo é semelhante ao de um exército cujos soldados, durante a guerra, ficassem com seus uniformes estragados, rotos, ou perdidos. O general se preocupa mais com seus soldados do que com os uniformes deles.

(...) Em outra vida, essas vítimas acharão completa compensação aos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar.
(...) Os flagelos mudam as condições de uma região. Mas o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam.
(...) Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo”. (Pelos atos dos sobreviventes e voluntários de Angra já se pode constatar isso).
(...) Já as guerras são flagelos provocados pelo homem em virtude da “predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e o transbordamento das paixões”.

Muitas existências serão necessárias para expiar todos os assassinatos, porquanto o responsável pela morte de seus irmãos em Humanidade não deixará de responder nos infalíveis e justos tribunais divinos por essas mortes.

Quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a Lei de Deus serão – finalmente – considerados irmãos entre si, independentemente dos credos e etnias e, consequentemente, as guerras serão extintas, ou quando muito, peças do acervo dos museus para que os pósteros vejam – horrorizados – o primitivismo da natureza humana.
Dessa forma, quando a ficha cármica de cada ser humano não estiver mais sobrecarregada de débitos, cessarão os flagelos destruidores e a Terra será elevada à categoria de Mundo Feliz. Mas, até que isso venha a acontecer, a começar pela extinção da pena de morte em todo Orbe, ainda haverá “muito choro e ranger de dentes”.

Sem embargo, as Leis Divinas funcionam em tempo de regime integral e a reencarnação, que é a segunda palavra do alfabeto divino, será a porta sempre aberta para o retorno dos que foram arrebatados pela morte, retorno esse abençoado, quiçá em melhores condições, livres dos pesados ônus dos equívocos pretéritos.

Sem dúvida alguma que, por conhecer esses mecanismos, o nobre Apóstolo dos Gentios escreveu aos coríntios (3): “ Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?”

E não foi outro o motivo que levou Jesus a proclamar com Sua habitual segurança e lucidez: “Quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá”; (4): “Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos”. (5)

1 - KARDEC, Allan. A Gênese. 43.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, cap. XIII, item 19.
2 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.
88.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2006, q.
737 a 745.
3 - Cor., 15:54 e 55.
4 - João, 11:25.
5 - Mateus, 22:32.

Revista RIE - Fevereiro de 2010

Comentários
Adicionar
Escrever comentário
Nome:
Email:
 
Título:
 

3.25 Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."

 

COLUNISTAS

Adenauer Novaes
Décio Iandoli
Frederico Menezes
     
José Medrado
José Nicanor
Kau Mascarenhas
     
Pablo Capistrano
Ribamar Tourinho
Roberto Lúcio
     
Robson Pinheiro
Adms Auni  

LOGIN

BLOGS

Blog do José Medrado

Kau Mascarenhas

Blog do Quico

Blog Djalma Argolo

Blog Dr. Décio

Blog - Adenáuer Novaes

MENSAGENS

Portal Kids