A campanha Comece pelo Começo e Chico Xavier Imprimir E-mail
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Merhy Seba

São passados 38 anos (1972-2010) que a campanha Comece pelo Começo foi lançada, na Capital paulista, pelo Conselho Metropolitano Espírita (hoje, USE Regional São Paulo), com o objetivo de popularizar as Obras da Codificação Espírita, legadas por Allan Kardec.

O cenário da época

O ambiente social ofereceu as condições favoráveis ao surgimento dessa campanha: um fato novo ocorreu e gerou a oportunidade para se falar, abertamente, em Espiritismo e poder dar visibilidade aos livros espíritas, sem quaisquer constrangimentos, por parte de espíritas e/ou simpatizantes.

Corria o ano de 1971, quando, na noite de 2 de julho, a TV Tupi-Canal 4, levou “ao ar” o Programa Pinga-Fogo, com o médium Francisco Cândido Xavier. Esse programa, como o próprio título indicava, era constituído de um painel de entrevistadores, geralmente, jornalistas ou especialistas convidados pela Emissora de TV, os quais tinham como função, dirigir perguntas aos entrevistados sobre temas acordados entre ambas as partes.

Inicialmente, o jornalista Almir Guimarães fez a apresentação do médium Francisco Cândido Xavier e do painel de entrevistadores, no qual figuravam os jornalistas João de Scantimburgo, Prof.José Herculano Pires, Hele Alves, Reali Júnior e Saulo Gomes.

A medida que as perguntas eram formuladas, Chico Xavier lhes respondia, com serenidade, firmeza e propriedade sobre os mais diversos temas sociais, filosóficos, científicos, religiosos e os relacionava com os fundamentos da Doutrina dos Espíritos.

Conclusão: o índice de audiência do programa foi um dos maiores, na história da televisão, tendo sido reprisado várias vezes, proporcionando a milhares de lares, em vários Estados do país, em contato visual com a imagem do médium e, sobretudo, com a sua palavra esclarecedora sobre vários problemas humanos, interpretados à luz dos ensinamentos espíritas. Isto, sem falar do Jornal de Domingo, um suplemento encartado no jornal Diário de S.Paulo que reproduziu “in totum”, o conteúdo do programa de TV.

Nas semanas que se seguiram, a demanda cresceu, em relação aos livros espíritas, principalmente, aos psicografados pelo médium de Uberaba.

Esse foi o sinal que despertou a atenção e inspirou a equipe* do Departamento de Divulgação do Conselho Metropolitano Espírita, que não titubeou em planejar ações para aproveitar “a janela estratégica” que o mercado oferecia.

O Planejamento da campanha
Foi em 1972, em meio a essa atmosfera psíquica, que começamos a idealizar os primeiros esboços sobre a campanha em favor das obras básicas do Espiritismo, com a proposta de estimular o segmento de público espírita e o grande público, a conhecerem o Espiritismo pela base, pelo começo, sem, no entanto, desestimular o interesse pelos livros subsidiários, que ampliam os conceitos básicos contidos nas Obras Básicas. O planejamento estratégico se baseou em três pontos fundamentais para o seu desenvolvimento: estabelecer o conceito, gerar a ideia e a planejar a veiculação. E, assim, aconteceu: O Conceito: O Espiritismo começou com Allan Kardec e sem Allan Kardec, não há Espiritismo – assim, para conhecer a Doutrina Espírita necessariamente deve-se seguir a ordem natural das coisas; superada essa fase, surgiu a Ideia: dar visibilidade às obras e colocá-las como a fonte do saber espírita, sintetizada na Frase-Chave: Comece pelo Começo e a Imagem-Chave: a visualização das cinco Obras da Codificação Espírita e Obras Básicas ( embora não seja um livro da Codificação, havia a necessidade de expor informações sobre o “autor” da nova ideia; e, por fim, a Veiculação: optou-se pela mídia impressa para fixação da mensagem e o desencadeamento progressivo do recall (lembrança). Foi, realmente, um exercício intenso de criação (melhor dizendo, co-criação), no qual a intuição e a inspiração teve papel relevante, pois, a presença espiritual foi marcante para a equipe, em vários momentos da elaboração da campanha.

Em 1972, a Comissão Executiva do CME, sob a presidência de Ignácio Giovine e vice-presidência de Attílio Campanini, a campanha foi aprovada para a região Metropolitana de São Paulo. A Capital foi o laboratório do qual surgiu a cultura de se trabalhar em equipe e com planejamento. O objetivo final era conquistar o Estado todo.

Em 1973, a Diretoria Executiva da USE, sob a Presidência do Dr. Luís Monteiro de Barros e Vice-Presidência de Carlos Jordão da Silva aprovou a deflagração da campanha, em nível estadual, apoiada pelo jornal Unificação e outros periódicos espíritas e, sobretudo pelas ações promovidas pelos órgãos regionais da USE.

Nova fase, novos espaços

Em 1975, a campanha alcançou, definitivamente, o território estadual e se expandiu em 1978, para a esfera nacional, tendo sido apresentada ao Conselho Federativo Nacional, pelo então Presidente da USE, Nestor João Masotti, atual Presidente da FEB e Secretário Geral do Conselho Espírita Internacional.

Por volta de 1989, por ocasião da realização do Congresso Internacional de Espiritismo, em Brasília, Janete Duncan, representante do Conselho Espírita Internacional (Inglaterra) fez a entrega (a Ulisses Carvalho, na ocasião, editor do jornal de Ribeirão Preto, “Verdade e Luz” e ao autor deste artigo) de um folheto da campanha, vertido para o inglês (“Begin at the beginning”), que estava sendo utilizado pelo “Allan Kardec Spirit Group”, de Londres – prova irrefutável de que a campanha havia cruzado o Atlântico, internacionalizando-se de modo espontâneo.

Como se pode perceber, Chico Xavier não só prestou um grande serviço ao Movimento Espírita Brasileiro, com a sua presença na TV, gerando notoriedade à Doutrina Espírita e credibilidade ao Movimento Espírita como um todo ao estabelecer uma linha divisória separando Espiritismo de sincretismo religioso.

Papel de Francisco Cândido Xavier nesse episódio
Com a presença de Chico Xavier na TV, o processo de levar Kardec às massas acelerou e proporcionou uma nova série de medidas no campo da difusão doutrinária, percebida, principalmente, na área de feiras e bienais do livro espírita.

Seria lícito e nos convém considerá-lo “Padrinho” da campanha Comece pelo Começo? É uma honra tê-lo como tal. Com ele, essa bandeira foi deflagrada a céu aberto, há quase quatro décadas, estimulando o estudo, a prática e a divulgação dos princípios da Terceira Revelação, de maneira altamente significativa.

Por ocasião das comemorações do primeiro centenário de nascimento de Chico Xavier, que o Mundo todo se movimenta, queremos prestar a nossa homenagem, agradecendo-lhe pela decisão de se postar diante da telinha.

Em vez de um Pinga-Fogo na TV, o que vimos foi um pingar de luzes e de esperanças em incontáveis corações.


* Equipe constituída por Agostinho Andreoletti, Aparecido Belvedere, Domingos Meciano, José Prado, José Domingos, Lionel Motta, Merhy Seba e Zulmiro dos Santos (Diretor do Dep. de Divulgação).
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