A teoria e os fatos espíritas Imprimir E-mail
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Cairbar Schutel

Publicado na RIE em novembro de 1925

O Espiritismo é um conjunto harmonioso de ideias e fatos, cujas verdades demonstráveis constituem a crença na imortalidade, com suas consequências morais admitidas por todas as seitas do mundo.
O Espiritismo pode ser comparado ao indivíduo; a “teoria espírita” é a alma, o “corpo íntimo”, com suas relações sensitivas; o “corpo físico” são os fenômenos cujo sistema de órgãos lhe serve de instrumento para a manifestação de sua atividade exterior.
Assim, pois, a Doutrina Espírita, quer em sua forma objetiva, quer em sua forma subjetiva, reveste um caráter espiritual, identificando-se perfeitamente a teoria com os fatos, a alma – corpo íntimo, com os fenômenos – corpo físico que positiva a sua veracidade.
O pensamento básico que Fichte expendeu, sintetizando o seu estudo sobre os fenômenos, define perfeitamente o Espiritismo: “um individualismo divino e essencialmente real”.
Assim como todo o corpo é órgão da alma, o instrumento da sua atividade com o seu sistema de órgãos, os fatos espíritas constituem esse “corpo-indivíduo” que confirma a existência espiritual de um princípio com o qual se conforma ao caráter do indivíduo.
Dissemos, num dos últimos artigos, que os fatos do Espiritismo são reais, positivos, não tendo faltado, para confirmarem a sua realidade, nem mesmo os aparelhos chamados constatadores da força-física e que demonstram a existência de inteligências extraterrenas que por eles têm provado a sua ação.(1)
De fato, dentre a grande variedade de fenômenos verificados nas experiências, salientam-se os seguintes: – “Sons de vozes humanas, sons de instrumentos musicais, ruídos, pancadas; mudança de atmosfera, odores diversos; escrita direta, impressão na greda e na farinha, moldagens em gesso e em parafina; levitação e transporte de objetos sem contato; materializações parciais e completas, fotografia, etc.
Desde 1848, essas manifestações têm se tornado comuns, mas, em todas as idades do mundo, elas foram conhecidas, merecendo o testemunho da história, da consciência universal e da filosofia de todos os tempos.
Existem, não há dúvida, a par da teoria espírita, outras que têm sido lembradas para explicar esses fatos, mas nenhuma delas tem a precisão e clareza de lógica, nem vem munida dos argumentos indispensáveis às exigências da razão e do bom-senso.
São os caracteres que revestem a teoria espírita que explicam a sua irredutibilidade, pois, se as suas ideias tivessem, em vez de formas vivas, concretas, formas dogmáticas, abstratas, o sistema explicativo dos fenômenos que lhe são peculiares já teria desaparecido, tal a luta sustentada, há mais de setenta anos, com adversários terríveis de todas as escolas religiosas e científicas, que se constituíram seus mais figadais inimigos.
Nota-se, porém, que o contrário é que tem acontecido: a hostilidade, incitando a curiosidade, o livre-exame, a pesquisa, o estudo, o raciocínio, restituiu ao Espiritismo as suas qualidades e direitos, constituindo-o o mais valioso assunto que à ciência cumpria investigar.
Atualmente podemos dizer que nos achamos a meio caminho andado. No terreno dos fatos, as hostilidades cessaram, ninguém mais os contesta, e até a imprensa de todos os credos, de todos os países e lugares, sem receio do que se possa dizer, junta o seu concurso pela difusão destes fenômenos, embora a apreciação pessoal dos escritores não prime pela justeza de uma crítica bem fundada.
Atualmente, todos, pode-se dizer, se unem numa mesma voz para repetirem a afirmativa do sábio: – “Os fatos existem”.
Não se é mais preciso citar Gibier, Bécour, Richet, Delanne, Lombroso, Lodge, Myers, Morselli, Wallace, Crookes; os próprios fatos inutilizaram todas as objeções infundadas, todas as negações sistemáticas.
Resta intensificar o trabalho de raciocínio para que os pensadores, presos ao grilhão da religião e da ciência oficial, estudando os efeitos nas suas manifestações formais, reunindo-as num ser complexo e concreto, cheguem ao conhecimento verdadeiro da causa que os aciona.
E esse trabalho parece que já está sendo feito, com o despertar das nossas faculdades superiores. Além disso, abrangendo o Espiritismo um diâmetro ilimitado e abraçando não só o mundo visível, mas também o invisível, absorverá todas as menores formas de religião e de ciência e fará salientar as maiores verdades que se relacionam com a vida, fazendo delas uma fonte incessante de inspiração e santificação.
Um Ideal Superior, espiritual, sem o elemento da imortalidade, é uma quimera.
A fenomenologia espírita é uma conquista positiva e incontroversa que alicerça o monumento da verdade e as hipóteses, ou sejam, os julgamentos pessoais que hão de ceder à força poderosa dessa mesma verdade.

1- Magnetoscópio, de Rutter; Pêndulo, de Briche; Aparelho, de Leger; Biômetro, de Lucas; Galvanômetro, de Puyfontaine; Magnetômetro, de Fortin e Baraduc; Cilindros, de Thoré; Estenômetro, de Joire; Sensitivômetro, de Durville; Aparelho, de Fayol, etc.

Revista RIE - Junho de 2010 

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