Entrevistas \| Entrevista – Marlene Rossi Severino Nobre
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Entrevista – Marlene Rossi Severino Nobre Imprimir E-mail

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As Associações Médico-Espíritas têm o objetivo de desenvolver o aspecto científico do Espiritismo, principalmente no âmbito da Medicina, através de estudos, pesquisas, criação de novas tecnologias, que levem à introdução e à fixação definitiva da Espiritualidade na práxis médica e na formação universitária, de modo a enxergar o paciente como um ser integral - biopsicosocioespiritual.

Marlene Rossi Severino Nobre, 69, médica, natural de Severínia – SP, viúva de José de Freitas Nobre, mãe de Marcos e Marcelo Nobre, avó de Ana Luísa e João Pedro. É a Presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil e Internacional, editora do jornal Folha Espírita, presidente do Grupo Espírita Cairbar Schutel, Diretora do Lar do Alvorecer. Semanalmente, mantém o programa Diálogos Médicos, na Rede Boa Nova de Rádio e o programa de televisão Portal de Luz, na TV Mundo Maior. Conheceu desde a sua juventude o médium Francisco Cândido Xavier com quem conviveu muito de perto. Dra. Marlene, como é conhecida, é, sem sombra de dúvida, uma incansável trabalhadora da Seara de Jesus.


RIE - Como surgiu a Associação Médico-Espírita do Brasil?
Marlene - A fundação da Associação Médico-Espírita do Brasil deu-se a 17 de junho de 1995, como decorrência do crescimento natural do movimento, a partir da inauguração da primeira AME, em 30 de março de 1968, a AME-São Paulo, embrião de todas as AMEs. Devemos, portanto, a pavimentação do caminho para o seu surgimento, ao descortínio e à grande visão de valorosos colegas, como Luiz Monteiro de Barros, Antonio Ferreira Filho, Maria Julia Prieto Peres, Eurico Branco Ribeiro, Alfredo de Castro, Alberto Lira, Adroaldo Modesto Gil, Reynaldo Kuntz Busch, Miguel Dorgan, Oswaldo Jesus de Oliveira Lima, Ary Lex, Ney Coutinho, e outros que, aconselhados e amparados pelas orientações seguras do médium Spartaco Ghilardi, foram modestos o suficiente para criar tão-somente o núcleo da cidade de São Paulo, sem conferir-lhe uma abrangência nacional. Essa atitude favoreceu o surgimento de outras AMEs em nosso país, primeiramente em Minas Gerais, em 1986, e depois em outros Estados e cidades brasileiras, a partir da década de 90, possibilitando a fundação da entidade nacional. Movida tão-somente pelo amor à verdade, à realidade dos fatos - sem qualquer propósito de destaque pessoal, pois estou certa de não possuir mérito algum - acrescento que, no início de dezembro de 1990, fui incumbida, por nosso benfeitor e patrono das AMEs, dr Bezerra de Menezes, através da vidência da alma, a fundar a entidade nacional. Disse-me ele, nessa primeira aparição, que a Associação das AMEs já estava formada no coração de Jesus e precisava materializar-se na Terra. Por várias vezes, as orientações se repetiram ao longo da década de 90. O movimento cresceu, pois, graças à proteção e ao amparo do Maior Médico de todos os tempos, a quem temos o dever de entregar o nosso diploma, segundo orientação de nosso querido patrono espiritual.


RIE – Quais os objetivos das AMEs?
Marlene – Desenvolver o aspecto científico do Espiritismo, principalmente no âmbito da Medicina, através de estudos, pesquisas, criação de novas tecnologias, que levem à introdução e à fixação definitiva da Espiritualidade na práxis médica e na formação universitária, de modo a enxergar o paciente como um ser integral - biopsicosocioespiritual. Definindo de outro modo, nosso objetivo é levar a alma à Medicina, no seu duplo sentido: introduzindo nos seus fundamentos a pesquisa científica da alma, realizada, de forma pioneira, por Allan Kardec, e a que formos capazes de implementar, presentemente, através de novas linhas de investigação; assim como devemos levar o calor humano, a solidariedade, a fraternidade, no cuidado com o paciente.

RIE – E as AMEs no exterior? Em quais países?
Marlene – No exterior, temos no Panamá, em Portugal, na Argentina, e, desde abril deste ano, na Guatemala. A AME-EUA também está praticamente fundada. Temos ainda três núcleos importantes, em Londres, Reino Unido; em Montreal, Canadá; e em Genebra, na Suíça.

RIE – Conte-nos sobre o trabalho das AMEs do exterior e Congressos médico-espíritas.
Marlene – Desde 2002 realizamos eventos no exterior. De lá para cá, todos os anos realizamos seminários, jornadas, congressos, em Barcelona, Paris, Lisboa, Londres, Genebra, Milão. No ano passado, fizemos juntamente com o Conselho Espírita dos Estados Unidos o 1º Congresso de Medicina e Espiritualidade dos Estados Unidos e planejamos fazer o segundo no ano que vem. No Reino Unido, realizaremos o 1º Congresso dia 30 de junho e 1º de julho deste ano; nos dias 7 e 8 de julho realizaremos a 2ª Jornada em Lisboa em homenagem aos 80 anos de mediunidade do médium Chico Xavier e aos 150 anos de lançamento de O Livro dos Espíritos.

RIE – Qual é a posição da Associação Médico-Espírita com respeito ao aborto de anencéfalo?
Marlene – Somos contra. Existem razões científicas muito bem fundamentadas para sermos contra qualquer tipo de aborto intencional. Como espíritas sabemos que o encéfalo pode apresentar problema de má formação, assim como qualquer outro órgão, em virtude de problemas com a lei de causa e efeito. O nosso dever é dar ao espírito a oportunidade de viver o quanto necessite para ressarcir suas dívidas. A missão do médico é a de defender e preservar a vida, seja qual for a maneira como ela se apresente. Vida é um compromisso indissolúvel entre o ser e o Seu Criador.

RIE – E a utilização de células-tronco embrionárias? As células-tronco adultas não substituem aquelas?
Marlene – Defendemos a utilização das células-tronco adultas, somos contrários à fabricação das embrionárias. Aliás, todo o sucesso terapêutico tem sido obtido com as adultas, que têm se revelado muito mais apropriadas à utilização terapêutica.

RIE – Por que é importante a Campanha contra o aborto neste momento? Há possibilidade do Congresso Nacional descriminalizar o aborto, ou seja, tornar o aborto livre?
Marlene – Estamos correndo um grande risco de ver o aborto aprovado em nosso país. Basta ver o exemplo recente do México, onde tudo foi feito repentinamente, sem que o povo se desse conta. Se isto acontecer no Brasil, mancharemos a nossa bandeira e adquiriremos um carma de difíceis conseqüências.

RIE – Qual é a posição da AME sobre a eutanásia, distanásia e morte natural?
Marlene – Recentemente, este importante órgão de divulgação que é a Revista Internacional de Espiritismo publicou a nossa posição sobre eutanásia, distanásia e ortotanásia. Cremos que precisamos discutir mais, em toda a parte mesmo, a questão da morte natural, para que o próprio meio espírita se dê conta de dados importantes, como, por exemplo, a necessidade de respeitarmos o momento certo da partida da alma, sem que haja apressamentos criminosos, ou prolongamentos desnecessários.

RIE – Desligar os aparelhos de paciente que a medicina não tem mais nada a fazer e esperar que a desencarnação venha naturalmente é eutanásia? Por que?
Marlene – Esta é uma resposta que não pode ser dada. Não é sim, nem não. Para discutirmos desligamento de aparelhos, não podemos falar genericamente. Cada caso é um caso. A Medicina possui recursos para detalhar a posição de cada paciente. Nenhum médico espírita responsável, em sã consciência, vai tomar uma atitude para abreviar a vida do paciente. Chega, porém, um momento em que o espírito precisa voltar à pátria espiritual e nós não podemos impedir esse regresso natural. Temos de acompanhar a desencarnação com todos os cuidados necessários e próprios de cada caso. Para isso, trabalhamos em cima de dados que a Medicina tem para oferecer, que são seguros; ouvimos os familiares, procurando dar ao paciente em estado terminal o conforto dos últimos momentos na companhia deles, acompanhando-o de modo responsável e fraterno.

RIE – O Espiritismo está conseguindo adentrar as Universidades? Seria um caminho para a universalização dos princípios espíritas?
Marlene – Creio que esse é um processo lento que virá naturalmente pela madureza dos tempos. Todas as instituições devem fazer a sua parte para que isso aconteça.

RIE – Quais os livros publicados? Algum livro foi traduzido para outros idiomas? Algum no prelo?
Marlene – A AME-BR já publicou Saúde e Espiritismo, Medicina e Espiritismo, Depressão- Uma abordagem Médico-Espírita. Dos médicos que compõem as AMEs têm publicado o Dr Décio Iandoli Jr, Dr. Roberto Lucio V. de Souza e outros profissionais que compõem a AME-MG, os companheiros da AME-ES, Dr. José Roberto Pereira dos Santos, Dr. Wilson Ayub, e outros. Dentre os meus livros, A Obsessão e suas Máscaras foi traduzido para o francês e o italiano, A Alma da Matéria para o inglês, francês e espanhol, O Clamor da Vida para o espanhol e o francês, Nossa Vida no Além para o italiano. Acaba de sair o meu livro O Dom da Mediunidade, pela editora FE, de São Paulo-SP.

RIE – Sabemos que o Chico Xavier foi amigo pessoal seu e de sua família. O que isso representou na sua vida?
Marlene – Uma volta aos tempos de Jesus. Um estímulo para mudança de conduta, para o cultivo da humildade, algo que confesso o meu espírito imperfeito muito necessita e está longe de adquirir.

RIE – Alguma passagem de Chico Xavier que queira nos contar.
Marlene – Chico esperava o ônibus que o levaria ao centro da cidade de Uberaba. O ônibus chega, mas lá adiante Chico vê uma criança correndo e a ouve gritar: — Tio Chico! Tio Chico! Ele pede ao motorista do ônibus que siga, porque ele vai esperar a criança. O menino muito pobre chega esbaforido e se atira no peito de Chico. — Tio Chico, eu só queria lhe dar um abraço, diz, cheio de felicidade. Chico sorri e o abraça paternalmente. Não precisa dizer mais nada. Esse é Chico Xavier.

RIE – Suas considerações finais:
Marlene – Agradeço a oportunidade de falar mais uma vez a esta Revista que é um marco na vida espírita nacional, fruto do venerável trabalho de Cairbar Schutel e de seus seguidores. Sempre tive em “seu” Schutel o protótipo do homem de bem; seus exemplos notáveis de amor ao Cristo povoaram a minha vida, desde a mais tenra infância, através de seus livros e das lembranças de meus pais, que tiveram a felicidade de conviver com ele, assim como o meu tio Leonardo Severino. Vida longa a esta Revista. Muita Paz a nós todos!

Fonte: Revista Rie - Jun/2007

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arif cais  - História do Espiritismo MOderno |2009-09-23 06:34:34
É impossível construir a história da Doutrina Espírita no Brasil sem o
conhecimento da vida e obra da Família Freitas Nobre. O Dr. José contribuiu
para a pacificação do país no momento mais turbulento da sua história
política. A Dra. Marlene enceta luta pelo reconhecimento da vida sem
fronteiras, esclarendo e trabalhando contra a prática abominável do aborto e,
para a utilização correta e plena das células tronco. Este é o Espiritismo
moderno, associando ciência e filosofia para explicar a religião.
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