| Bela Matéria (Coluna Religião) |
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Na última segunda-feira, vimos aqui em A TARDE uma bonita matéria sobre o processo que já começa a varrer todo o Brasil, na busca de uma firmação maior do respeito que todas as religiões merecem no cenário de laicidade do nosso país. Fato é que vivemos em um país onde as práticas democráticas ainda, a bem da verdade, estão se alicerçando. De um modo geral, percebemos que uma parte da sociedade quer ser tutelada, receber o que deve pensar, e absorve as expressões, muitas vezes medíocres, achincalhadoras, ignorantes de açoite à religião dos outros. Mas as coisas começam a mudar... Os princípios relativos aos direitos fundamentais e às liberdades constitucionais se interpretam em conformidade com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e os acordos internacionais sobre os mesmos aceitos pelo Brasil. E, nesse ponto, não há de se esperar respeito a princípios de fé, se o Estado não reage com o peso de seus Poderes contra os difamadores, caluniadores das religiões desprendidas das suas, principalmente as de matrizes africanas. É claro que muito ainda se tem por fazer, não deixando que a omissão, que é uma forma de escolha de ação, seja o norte de nossos convencimentos. É imperioso que nós, os que nos julgamos líderes religiosos, preguemos também a conscientização cidadã para os que nos escutam, a fim de que não venhamos a perder o foco de ajuda à manutenção de um Estado de direito, onde os princípios constitucionais sejam respeitados, acatados, e aos infratores deles seja aplicado o rigor da Lei, em face da sua falta de disposição em atender ao reclame do mundo contemporâneo por respeito à individualidade e suas escolhas legais e de direito. O objetivo nunca deve ser o de incitação ao revide, que se torna natural, humano, quando somos golpeados em nossos direitos, mas o de permanente vigília aos impositivos de formação de uma sociedade cada vez mais democrática, mas plural, porém, repito, com irrestrito respeito ao próximo e suas escolhas. Infelizmente, e sempre digo isso, ainda vemos as pessoas colocarem suas religiões como se fossem times de futebol, vestindo camisas de torcidas organizadas, em uma fomentação doentia de competição de força de número e de gritos de ordem. Mentes infantis e em desalinho, visto que o ideal a ser buscado deveria ser o do bem comum, motivado pelo ideário de cada coração, por convencimento próprio de que está no caminho que escolheu, e não em atitude arrogante de imposição da sua fé a quem não a solicitou. No Evangelho de Jesus, segundo João, 13: 34, falou o Senhor: “Novo Mandamento vos dou: Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. (...)”. Pois é, mas se não conseguimos ainda nos amar, que pelo menos nos toleremos. E aqui fica a referência em Jesus, pois sou cristão, mas poderia muito ser de Buda, Krisna, Maomé, Moisés... ou de qualquer grande líder que fez o seu coração ser melhor. José Medrado é médium, fundador da Cidade da Luz E-mail:
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