| A sacolinha e o carnê (Coluna Religião) |
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Há alguns espíritas que chegam a ultrapassar o que se pode denominar hipocrisia e descambam para o cinismo, claro, sem perder a pose de espírito superior. Não me refiro aos conservadores, esses eu até entendo seus posicionamentos, pois se formaram sob padrões passados e assimilados que eu, realmente, compreendo. Os conservadores não conseguem tirar a sua visão do condicionado, daquilo que foi posto. Veem com a viseira direcionada só para os conceitos, geralmente ditados por alguém e assumidos como verdade absoluta. Sei que posicionamentos, conceitos assumidos por mim geram, por vezes, controvérsias e disse-me-disse. Não me importo. O meu “erro” é pensar, racionalizar. Não rezo por cartilha de pessoa alguma, mas pelo meu siso e sensatez. Vejamos, pois: criticam-me porque eu passo a sacolinha na Cidade da Luz, onde os presentes colaboram com o que podem e querem, ou seja, ninguém é obrigado a coisa alguma, nem proibido de absolutamente nada, se não colaborar. Qual a diferença entre a sacolinha e os carnês de sócio, que, por exemplo, a maioria dos Centros têm, inclusive a Federação Espírita? Honestamente, penso que algumas contribuições pelo carnê são violentas, ao contrário da conhecida sacolinha das igrejas. É simples: há Centros em que os associados (contribuidores pelo carnê) se não estiverem em dia com os seus pagamentos não podem participar, por exemplo, de eleição alguma, nem para votar nem ser votado. Na Federação Espírita da Bahia é assim. Já com a contribuição pela sacolinha, pessoa alguma é impedida de nada, inclusive porque a doação é anônima, ao contrário dos carnês que, geralmente, têm o valor mínimo de contribuição, ficando à mostra o “quantum” cada pessoa colabora. Realmente, julgar a busca da ajuda pela forma como é feita é muita hipocrisia, pior, cinismo, pois o carnê é excludente, a sacolinha não. Não sou contra os carnês, de forma alguma, pois penso que cada instituição é que sabe o de que necessita para sobreviver, mas, cá entre nós, é ou não é eufemismo, falácia, atacar a sacolinha quando se faz carnês com condicionamentos a alguma participação na Casa Espírita ou Federação? Já estou na causa espírita há mais de trinta anos e sei qual é a “lógica” de seu funcionamento: os que não comungam com os “ensinamentos” dos cardeais e “donos” do Espiritismo são julgados, condenados dentro dos mais “nobres” sentimentos “cristãos”, ficando ao “transgressor” a passagem para o Umbral, na companhia dos “seus” obsessores. Pobres dos que abrem mão de seus princípios de lógica e discernimento, para não criar problema com os “donos” da verdade. Uma coisa é certa, no entanto, enquanto eles se debatem nos seus inconformismos por não submeterem a Cidade da Luz aos seus ditames absolutistas, a instituição cresce naquilo que é mais importante a uma casa espírita: a realização da caridade. No ano passado, foram mais de 250 mil atendimentos sociais e, este ano, seguramente, ultrapassaremos. Dizem que se conhece a árvore pelo fruto, ou também isso não é certo? José Medrado é médium, fundador e presidente da Cidade da Luz E-mail:
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