| O poder a desnudo (Coluna Opinião) |
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![]() O noticiário nacional ficou coalhado das imagens do governador do Distrito Federal, José Jorge Arruda, recebendo um calhamaço de dinheiro. Naturalmente, a indignação mais uma vez assomou os brasileiros, e não pode deixar de existir, afinal de contas mais um protagonista estreou o “1984”, de George Orwell. Fiquei refletindo sob o ângulo do flagrado, ator já experiente na arte da dissimulação, do choro, do jurar pelos filhos – você sabe: a tal violação do painel do Senado, em 2001. Imaginei a sua angústia, revolta pelo descuido dado, pois, afinal de contas, muitos que vivenciam o poder, depois de um certo tempo, se sentem no alto do Olimpo, onde a planície é observada e se pensa dominada, pois a luta dessa gente para galgar uma posição de domínio sobre as outras é um vale-tudo impressionante. O poder para muita gente é o centro do ego, em uma sociedade que vive de aparência, onde muita gente quer se lambuzar neste mel. A verdade é que vimos o exercício do poder estruturado na práxis do acima de tudo, do posso tudo e nada vai acontecer. Vejo, também, nesse comportamento uma estrutura de personalidade, determinando se tal indivíduo se encontra, no que afirmou o psicólogo vienense Alfred Adler, no complexo de inferioridade ou superioridade. Ambos são compensações de insatisfações, sendo que, no primeiro, é um fracasso da sua autoestima e, no segundo caso, o desejo de superioridade acaba encobrindo qualquer temor ou inferioridade sentida, sem falar, é claro, que ali está a sociedade representada. O estudioso em comportamento, Alves de Araújo, afirma que, embora quem detenha o poder, na maioria das vezes, não tolere críticas ou objeções, há uma ânsia desesperada para que sempre apareça um opositor, pois o mesmo servirá de válvula de escape para todos os impulsos agressivos e destrutivos do detentor do poder, gerando, assim, um desvio do foco a ser investigado. Faz-se o jogo de cena sob o pano dos interesses politiqueiros, quase nunca sob o manto da dignidade, da justiça e da honradez. Isso, no entanto, não deve fazer arrefecer a nossa capacidade de indignação, no exercício da vigilância aos que se arvoram donos da coisa pública. José Medrado é mestrando em Família pela UCSAL e fundador da Cidade da Luz E-mail:
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