José Medrado \| Espiritismo frio (Coluna Religião)
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Espiritismo frio (Coluna Religião) Imprimir E-mail

Mais um ano se findou e os espíritas de siso, com bom senso, sem fantasias ou ilusões, vamos vendo o nosso movimento cada vez mais frio, sem repercussão ou mesmo motivação. Algumas casas têm feito a sua movimentação, porém não passa de suas paredes. Não se nota mais uma efervescência do movimento, pois se encontra sem um farol, sem um motor de polpa.
    
Com a eleição de André Luiz Peixinho para presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia, pensei que teríamos um impulso renovador, pois estaria à frente um filósofo, um educador, inclusive, também, porque tínhamos na lembrança a gestão de sua esposa Edinólia, que deu um bom verniz nas antigas peças da FEEB. Frustração geral. Jantava com uns amigos e um deles me situava: - Medrado, ele é o presidente executivo, não do conselho. De fato, esqueci que quem dirige, realmente, a Federação é o presidente do conselho. De qualquer forma, tem sido uma decepção.
   
Não se trata aqui de avinagrar, acidular coisa alguma, mas, por favor, me corrija, então, se alguém, de fato e realmente, vê que o movimento espírita na Bahia está bem, segue o seu processo de alinhamento com o século XXI, revigorando novas ações, modernizando métodos... ou continua no mesmo ritmo de séculos passados.
   
Soube que houve uma bienal, ou sei lá o quê, do livro na Federação; estavam lá médiuns, que produzem por aqui, com os seus livros? Foram convidados para tanto D. Bernadete e sua produção, Adenáuer Novaes, Djalma Argollo? Seguramente, não, razão pela qual menos de 30 pessoas estavam na sua abertura.
   
Registro tudo isso com muito pesar e tristeza, pois vejo que, por capricho, orgulho sem sentido, parcialidade e falta de visão de contemporaneidade, estão levando o movimento espírita baiano a um papel frio e dissonante na nossa sociedade.
   
Renovar não significa afastar o antigo, em prol do moderno, de forma alguma, mas abrir oportunidade a uma nova oxigenação e um novo arejamento de corações e mentes, só assim a atratividade para os jovens será um fato.
   
Não venhamos falar aquelas velhas baboseiras do fracasso: não precisamos de quantidade e sim de qualidade. Bobagens! O fato é que precisamos, sim, fazer o Espiritismo ser conhecido, pois só assim o faremos verdadeiro consolador. Quem precisa do Espiritismo não são os mesmos espíritas de sempre, mas gente nova, que está aí sem religião, necessitando de uma crença.
   
Enquanto não acabar esta politização dentro do Espiritismo baiano, onde não nos aceitamos com as nossas diferenças e idiossincrasias, estaremos a cada dia depositando mais uma pá de terra sobre o monumento que antepassados erigiram.
   
Ao antigo se deve o respeito, mas ao novo é imprescindível oferecer a oportunidade.
Percamos o medo, ora bolas, de inovar, de modernizar. O conteúdo deverá ser o mesmo, mas os métodos precisam, sim, ser revistos.
   
Nem o Espiritismo, nem a Federação Espírita da Bahia têm donos. Precisamos, então, fazer uma grande discussão, sincera e sem preconceitos do que de fato está faltando à nossa causa, se não quisermos viver nostalgicamente.
   
Mestrando em família na UCSAL e fundador da Cidade da Luz
 
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