José Medrado \| O interesse do discurso político (Coluna Opinião)
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O interesse do discurso político (Coluna Opinião) Imprimir E-mail

 
Ouvir um político, de um modo geral, requer um poder de abstração espetacular, pois, em verdade, o que menos conta em seu discurso é a sinceridade.

O filósofo Aristóteles afirma que o primeiro princípio, tanto do pensar como do ser, é o princípio de não-contradição. É certo, no entanto, como poderemos depreender de Platão, que são, em suma, três os princípios do pensar e do ser: da identidade, da diferença e da coerência. Temos na identidade a forma que você abraça, em seu projeto de existência, seus valores, princípios, ideais; o segundo passa pelo entendimento do diverso, na busca permanente da compreensão do todo pelos particulares; e o último será a concentração da sua história, uma espécie de suprassumo do seu existir: coerência. Coerência com a sua história, com o seu saber, com a sua vida...

Isso não significa abrir mão do que se entende por uma nova ideia, um novo conceito. De forma alguma. Significa ter valor de opinião, credibilidade, dirá Górgias.

Dessa forma, vi de maneira risível as declarações do Presidente Lula acerca da prisão do Governador José Roberto Arruda. Em primeiro momento, no fim do ano passado, ele afirmou que “a imagem não fala por si”. Pensando, acredito, que o seu alto índice de popularidade daria o supremo dom de transmutar o óbvio e gerar uma nova ordem de entendimento do factual. Não satisfeito, afirma, após a prisão de Arruda: “Ninguém é sádico, ninguém está feliz”. Porém, quando se dá de conta que não consegue mudar os fatos da vida ao seu sabor e interesse, é extraordinário, dizendo em entrevista a rádios goianas, como se lê em A Tarde do último dia13: “Fiquei chocado quando aparece aquele filme do Arruda recebendo dinheiro. É uma coisa absurda a gente imaginar que, em pleno século XXI, isso acontece no Brasil”. “E que a prisão de Arruda deve ser um exemplo para outros políticos do país”, pois é...      

O cético Pirro declara que não podemos ter opinião verdadeira ou falsa sobre as coisas, uma vez que elas são imensuráveis e indiscrimináveis. No discurso político, o saber filosófico é fantástico.

José Medrado é mestrando em família na Ucsal e fundado da Cidade da Luz
 
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