José Medrado \| A força da esperança (Coluna Religião)
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A força da esperança (Coluna Religião) Imprimir E-mail

Conta a mitologia grega que Epimeteu, irmão de Prometeu, que roubara o fogo da sabedoria, do conhecimento dos deuses, se casou com Pandora, tida como a primeira mulher cheia de virtudes colocadas pelos deuses, como a paciência, a meiguice ao lado da beleza, a inteligência e outras habilidades mais. Hermes, no entanto, coloca em seu coração a traição e a mentira. Esse casamento foi uma contrariedade ao conselho do irmão, que sempre o alertara para não receber presente algum dos deuses, mas a beleza de Pandora o fascinou e ele esqueceu o conselho do irmão. Epimeteu já tinha uma caixa presente dos deuses de há muito, onde recomendou expressamente a sua mulher que nunca a abrisse. Pandora, no entanto, não resistiu à curiosidade e a abriu, liberando todos os males existentes nela. Por mais rápido que tentasse fechar a caixa, somente manteve o único bem, a esperança. É interessante como as “histórias” religiosas se reproduzem. Você, caro leitor, não vê semelhança nessa história, contada muito antes da Bíblia, com a de Adão e Eva? A proibição de comer a maça, para não sobrevir o mal; Adão recomenda, a mulher não se controla... Mas essa é uma outra abordagem. Aqui me reporto à esperança.

É interessante como temos a necessidade de reter a esperança mesmo diante de todas as perdas, de possibilidade de desespero, depressão. Todos os brasileiros estavam cheios de confiança diante da possibilidade de os nossos jogadores tratarem com carinho e boas conduções a jabulani, que em zulu significa celebração. Que nada! A destemperança se alia à inquietude e assumem o emocional dos nossos jogadores, e pronto: fim de um sonho de milhões sobre uma conquista que poderia ser bem o reflexo de uma necessidade coletiva de vitória diante das adversidades pessoais, dos sonhos não realizados de cada um. Todavia, logo de pronto, surgem os comentários para 2014, a esperança é presa, não a deixa sair da caixa de todas as frustrações que se amargam com a derrota das chuteiras. Começamos a ver as compensações coletivas e pessoais: ainda bem a Argentina também perdeu, e de 4, nós só com a diferença de 1 gol, pois é...ouvíamos por todos os lados o consolo, naquela velha história de que a miséria, a desgraça maior do outro compensa o tamanho da nossa.
 
A verdade é que não se pode viver sem esperança, pois ela é a segurança, uma espécie de tramela da alma para que não se permita a entrada dos inimigos silenciosos contra o equilíbrio, a nossa paz, a nossa fé. Ainda bem que conseguimos reter a esperança na adversidade, seja ela a de se confiar que um time vai ganhar o próximo campeonato, ou de algo que realmente tenha razão, força de vida, como sair de uma enfermidade, vencendo-a, ou superando quaisquer dos obstáculos que cheguem em nossas vidas, pelo natural processo de crescimento evolutivo a que todos estamos submetidos.

Alguém disse com muita propriedade: "A esperança não é um sonho, mas uma maneira de traduzir os sonhos em realidade."

JOSÉ MEDRADO/MÉDIUM, FUNDADOR DA CIDADE DA LUZ
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