José Medrado \| Descompromisso com a cidadania (Coluna Opinião)
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Descompromisso com a cidadania (Coluna Opinião) Imprimir E-mail

A revista The Economist divulgou, no final do ano passado, o Índice de Democracia, apontando que o Brasil possui um ótimo desempenho no que diz respeito ao processo eleitoral e pluralismo (9,58 sobre 10) e em termos de liberdades civis (9,12). No quesito funcionamento do governo, a avaliação cai para 7,50. Ainda mais problemática é a situação da participação política (5,00) e da cultura política (4,38) no País.

O que, no entanto, entristece é o baixíssimo nível de cultura política; a insatisfação da população nas instituições que deveriam ser representativas da sociedade são relegadas à indiferença quase absoluta, pois o povo se “cansou de tentar”. Surge, então, aí o chamado tiro no pé, pois se, efetivamente, queremos eco das nossas buscas e reivindicações não poderíamos largar nas mãos dos pretensos donos do poder as nossas aspirações, a fim de que eles não as sufocassem. O descompromisso do povo brasileiro com o que é público estimula o desatrelamento das ideologias ao bem comum, estipulando, assim, a firmação de ditaduras de segmentos ou mesmo de partidos. O povo precisa desenvolver o ímpeto de se apropriar do que de fato é seu, em uma revolução de conceitos e atitudes que levaria a uma apropriação real da sociedade aos seus valores de cidadania.

Vemos, por todos os lados, os direitos sendo tratados como favor, e o receio do melindre gerar cuidados para não ofender a quem teria o dever de ratificar o direito. É o que tem acontecido, por exemplo, com os tais programas de milhagens das companhias aéreas. Nunca se consegue adquirir novas passagens com elas, mesmo com grande antecedência, pois as companhias fazem o que querem e nada, nem ninguém busca a defesa do consumidor, principalmente ele próprio. Os desrespeitos vêm de todos os lados e as buscas judiciais por reparações são sempre irrisórias, pois essas empresas nem se sentem arranhadas pelas multas que recebem. É lamentável que a Justiça brasileira seja avessa à figura dos danos punitivos, comum nos Estados Unidos, que serve justamente pra desincentivar a repetição de conduta lesiva, reprovável por meio de condenações milionárias.

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