| O Segundo Melhor Momento |
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Talvez aquele bigode que tanto parecia com o do seu pai fosse o problema. Sim, ver na face do chefe uma espécie de sinal de alerta, uma tipo de imagem que produzia nela um misterioso efeito, fazia com que se afastasse. Era o seu calcanhar de Aquiles. Sua relação com o pai nunca fora das melhores, e justamente havia um outro bigodudo agora a representar autoridade em convivência profissional diária com ela. Seria isso? - Olá, Ana! Venha saber das minhas aventuras. Sabia que seu chefe também tem histórias de pescador para contar? – falou Jorge sorrindo. Ela apenas lhe sorriu de volta, timidamente, e se aproximou do grupo. Tanto João como Ana buscavam há muito tempo uma chance que a vida agora lhes concedia. Claro que o seu desejo era acertar. Queriam o melhor momento para fazer abordagem mais efetiva no sentido de criar laços com outras pessoas. Contudo, como dizem alguns, seus medos foram confundidos com seus desejos e as crenças limitantes que possuíam os impediram de realizar seus intentos. E a ação é o grande remédio para o medo. Transcrevo abaixo um trecho do cap.5 do meu livro “Mudando para Melhor” que trata desse tema: ![]() Em muitos instantes vale mais fazer algo que não esteja fantasticamente bom do que não fazer nada. Há um grande poder nas mãos de quem age, de quem assume o agora como o melhor momento.
Teria sido melhor deixar de fumar há dez anos. O segundo melhor momento é agora. Teria sido melhor plantar árvores e reflorestar a Mata Atlântica há 30 anos. O segundo melhor momento é agora. Teria sido melhor entrar naquele curso universitário há 5 anos. O segundo melhor momento é agora. Se não foi possível agir antes, aproveite o segundo melhor momento! Pessoas de sucesso não costumam protelar tanto. Aproveitam o impulso do momento inicial, em que se sentem agitadas pelo sonho, uma vez que sabem residir aí uma força bem maior. Ao deixar para depois, a força motivadora vai caindo e pode chegar aquela sensação de deixa pra lá, que faz acomodar-se. O grande navegador solitário Amyr Klink disse que na sua viagem à Antártida começou a ouvir um ruído diferente vindo da água. “Pareciam chineses fritando pastéis”, relatou. Na verdade, eram cristais de água doce se formando quando entravam em contato com a água salgada. Era muito belo o efeito visual e imediatamente teve o impulso de fotografar, como fazia com cada experiência diferente que vivia em suas viagens. Pensou, então: “Calma, você terá muito tempo para isso…”. No restante da viagem, durante os 367 dias que se seguiram, para sua tristeza, nunca mais voltou a presenciar o fenômeno. Aproveitar as oportunidades, usar o poder do momento presente, abraçar a possibilidade que a vida está colocando à sua frente. Respeitar o agora. Há algo que assusta muito as pessoas, o medo de que algo poderá começar e, não estando perfeito, durará pouco. Seja num relacionamento ou num empreendimento, o medo de que não seja eterno pode ser um terrível inimigo da excelência. Começamos muitas coisas. Algumas delas durarão. Outras, nem tanto. Aprenderemos com todas, entretanto. É importante fazer. Agir. Sempre haverá um tesouro a se extrair de cada experiência. Um texto soberbo de Rubem Alves nos fala da pipoca. Segundo o autor, a tradição religiosa africana considera o milho da pipoca uma metáfora para a transformação na vida humana. Por isso é uma comida cheia de significado especial e, assim sendo, muito usada em rituais do candomblé. O milho pequeno e duro, que nunca competiria com o milho normal, ao ser submetido ao calor, vira uma flor branca, perfumada e macia, que pode ser comida com prazer. Trata-se de um processo de ressurreição onde se deixa de ser de um jeito para ser de outro. E o que acontece com aquele grão que não arrisca aproveitar o poder do fogo, que ignora a oportunidade que a vida está lhe oferecendo? Torna-se um “piruá”, um milho que não virou pipoca. Ninguém chora por ele. Ninguém o devolve uma segunda vez ao poder do fogo. Ele é atirado fora. Teve sua chance e a desprezou. Agir é colocar energia no passo mais próximo e fazer acontecer. Se alguém diz: “Quero mudar de profissão”, por exemplo, qual o passo mais próximo? Pode ser estudar para fazer um concurso, conversar com alguém da área que estou mirando, pesquisar as empresas que podem oferecer-me essa oportunidade ou atualizar meu currículo. Quero sentir maior paz interior. Qual o meu passo mais próximo? Ler acerca de assuntos espirituais, dentro ou fora da minha religião. Freqüentar um centro espírita, uma igreja, um templo budista ou outro qualquer. Dedicar-me imediatamente e com regularidade maior a tudo o que diz respeito à oração e meditação. Quero ter um corpo mais saudável. Qual meu passo mais próximo? Marcar uma consulta com um médico e programar exames. Optar por legumes e carne branca sem gordura em meu almoço de hoje. Colocar no papel imediatamente meu programa de exercícios físicos. Em outras palavras, sejam quais forem seus sonhos, comece algo em relação a eles. Já! Seu eu-futuro agradece. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. |