Kau Mascarenhas \| Matérias sobre PNL – Programação Neurolinguística e Doutrinação de Espíritos em Reunião de Desobsessão
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Matérias sobre PNL – Programação Neurolinguística e Doutrinação de Espíritos em Reunião de Desobsessão Imprimir E-mail

1- PRESSUPOSTOS ÚTEIS PARA QUEM FALA COM O ALÉM – Contribuições daPNL

 
Em meados dos anos 70 surgiu uma forma de entender a excelência humana, através do estudo de pessoas de sucesso. Seus criadores, os pesquisadores Richard Bandler e John Grinder a batizaram de Programação Neurolinguística.

Bandler, um terapeuta gestáltico que também era matemático e estudioso da ainda nascente ciência chamada Informática, e Grinder, PhD em Lingüística, queriam descobrir o que construía as pessoas ditas “de sucesso”. Qual seria o segredo de alguém com muita excelência em comunicação? Como se poderia entender a genialidade de alguns destacados nomes da terapia, dos negócios, das ciências e das artes? Quais as estratégias de sucesso de um grande líder?

Em suas pesquisas sobre o fantástico desempenho de algumas pessoas especiais, bem sucedidas, eles identificaram padrões que faziam importante diferença na sua forma de agir, falar e pensar, e que poderiam ser modelados por outras pessoas.

A PNL – Programação Neurolinguística começou assim, do estudo da excelência humana, e abre, portanto, espaço para considerações muito significativas sobre comunicação, pensamento, atitude, crenças e valores, que podem ser aplicáveis no labor de um trabalhador da casa espírita, e em especial, na doutrinação de espíritos em reuniões de desobsessão.

Há pressupostos que a PNL abraça que têm muito a ver com essa atividade. Comentaremos neste artigo alguns desses princípios que são uma espécie de base filosófica, e as possíveis pontes com o trabalho do doutrinador.
 
Por detrás de qualquer ato existe uma intenção positiva para o sujeito

Caro leitor, imagine uma entidade com comportamento perverso, interessada em ferir alguém, vingar-se, ou simplesmente divertir-se com a infelicidade de outrem. É muito comum que imediatamente surja em nossas mentes a seqüência: indignação - julgamento – condenação. Como pode um espírito se felicitar em criar tanta dor na vida de um inocente? Como pode sentir tanto prazer em atormentar um encarnado, uma vez que já não faz mais parte desse mundo? Por que não esquece a desfeita tão antiga e parte rumo a sua própria estrada de crescimento?

Manter conjecturas dessa natureza pode prejudicar um pouco uma relação de ajuda. Já que estamos na condição de doutrinadores, se queremos ajuda-lo a mudar seu estado vibratório, uma atitude compassiva e de compreensão será mais eficaz. Entretanto é sempre bom lembrar que compreender é diferente de concordar.

Vejamos o caso de uma entidade perturbadora que contava através do médium a sua história recheada de angústia e ódio. Dizia-se contente em envenenar psiquicamente um infeliz por causa de antigas disputas de poder que tiveram curso séculos atrás. Rancor e inveja se somavam a um profundo senso de injustiça, e essa mistura de emoções desencontradas lhe desequilibravam completamente. Havia encontrado o antigo desafeto,  por afinidade vibratória, e agora permanecia em seu quarto, como uma espécie de sentinela, perturbando seu sono e trazendo-lhe incômodos pesadelos à noite. Atormentava-o também minando energias, provocando problemas profissionais e deixando-o também irritadiço com os familiares.

Conversando com esse obsessor descobrimos que por muito tempo ele havia sido preterido, desconsiderado, colocado em posição bem inferior. E o homem que ele agora importunava, por diversas vezes, em vidas sucessivas e contextos diferentes, tinha sido agraciado com cortesias e louvores que no seu entender deviam ter sido seus.

- Como pode um ignorante como ele ter tanto reconhecimento junto à nobreza e à realeza? Eu era sempre a cabeça pensante, aquele que arquitetava diversos projetos bem sucedidos, mas ele sempre recebia os louros. Agora ele vai amargar o esquecimento. Perturbarei suas idéias, e por fim deixarei que a loucura completa o abrace. Vai pagar caro pelo que me fez.

Conversando com calma foi possível ir fundo em seus reais propósitos:

- Sei o quanto é difícil passar pelo que você passou. E fico aqui curioso a pensar sobre o que você  alcançará de bom ao vê-lo louco.
- Ora, ficarei muito contente, vingado. Saberei finalmente que a justiça foi feita.
- Entendo, e uma vez que se faça a justiça, o que vem de mais importante para você?
- Virá uma sensação muito boa de que enfim poderei descansar e buscar a minha paz.
- Portanto o que você busca é paz? Paz é algo valioso para você?
- Sim, acredito que essa é a coisa mais importante para mim nesse momento... (choro)... preciso tanto de paz...
- Eu percebo, meu amigo. Sinto o quanto a paz lhe será útil agora. E é possível começar a construí-la a partir deste exato momento. Sei o quanto você é inteligente, não é?
- Sim! Sou um homem muito inteligente!
- Sei também que é tenaz na busca de seus objetivos. Posso dizer que isso é uma verdade, não?
- Claro que pode! Se você souber mais de mim vai ver o quanto sou persistente.
- Eu já posso ver isso. Que tal agora começar a focalizar um objetivo especial? Encontrar a paz...

E assim a doutrinação prosseguiu e a entidade pôde ser conduzida, recanalizando a sua energia para a busca da paz, seu propósito profundo, ao invés de prender-se à vingança e à justiça, propósitos primários. Em alguns minutos ele já se encontrava em condições de ser levado pela equipe espiritual de apoio.

Foi importante pesquisar o seu Meta-objetivo, um Estado Essencial, ou seja, a sua intenção profunda, que era a paz. Seres humanos, sejam criminosos ou santos, buscam com suas atitudes alguma coisa profunda que é importante e muito valiosa, mesmo que não estejam conscientes disso.

Paz, Amor, Plenitude e Liberdade são alguns desses estados que estão por detrás de posturas e comportamentos disfuncionais. Quantos ferem para poder encontrar Amor? Quantos se aferram a grilhões de ódio na busca da Paz?

Um diálogo que, ao invés de condenar ou repreender, procura inicialmente criar empatia para depois ir aprofundando e descobrindo o propósito essencial que a alma esconde, pode ajudar muito mais. Isso vale para uma conversa com encarnados também.
 
Todo ser já possui os recursos de que precisa dentro de si.

Já estive num diálogo bastante curioso com um desencarnado que dizia ter sido senhor de engenho, dono de muitas terras. Permanecia em profundo desequilíbrio, uma vez que não podia mais exercer o domínio que lhe era tão natural quando em sua última existência física. Ainda assim, mantinha atitude mental que denunciava vaidade e arrogância, como demonstrava até mesmo a comunicação não verbal da médium que lhe emprestava a voz. Ele se expressava de forma imponente, timbre masculino em tom grave e volume alto, espichava o peito e mantinha os lábios pronunciados para frente. Após a reunião a médium contou que, pela sua vidência, foi possível notar que ele próprio era um mestiço e tinha traços bem característicos dos mulatos. O preconceito que demonstrava em sua comunicação quando se referia aos escravos de forma pejorativa, era uma espécie de auto-preconceito.

Ele ainda via diante dos olhos a sua antiga propriedade com belas colinas verdejantes, a grande casa da fazenda, os pastos e a senzala. Estava completamente cego ao seu estado atual de desencarnado.

Era de tal forma endurecido em termos de sentimento, que a única coisa que lhe interessava era cuidar das suas terras, comprar e vender gado e escravos, negociar com os outros fazendeiros e acumular riqueza material. Mostrava-se tão apegado a dinheiro que, por conta disso, nunca havia se casado. Afirmava com grande convicção que mulheres e filhos só serviam para “dilapidar riquezas e roubar o que se conquistava com tanto suor e astúcia”. Nunca dormia, acrescentou, porque precisava proteger aquilo que era dele.
Veio a mim, intuitivamente, que a forma de ajudar nesse caso seria buscar sensibiliza-lo para o Amor. Era um desafio e tanto em se tratando do que ele demonstrava durante o diálogo.

Perguntei-lhe então, após algum tempo de conversa:
- Quem sabe você possa me dizer algo... Você já amou alguém?
- Nunca! Como poderia amar alguém se ninguém nunca me amou? As pessoas só se aproximam para roubar meu dinheiro!
- Alguma coisa me diz que houve alguém que o amou muito... e que não se interessava em dinheiro...

Nesse momento ele parou e respirou profundamente. Baixou um pouco o volume da voz e respondeu:

- Você está se referindo à Nêga Sinhá, não é? A Nêga Sinhá... É verdade... ela me amou muito...

Tratava-se da sua ama de leite e que já se encontrava ali junto à equipe socorrista para ajudá-lo a sair da condição em que se encontrava e partir para o repouso de que sua alma carecia. Embora ele não pudesse enxerga-la, ela fora por muitos anos uma companhia fiel.

Eu pedi então que voltasse a lembrar da Nêga Sinhá, e de como ela o abraçava com ternura em seus tempos de infância, fui aos poucos evocando estados e sensações de ser acolhido, de ser abraçado num colo quente e gordo, e que, enquanto conversava comigo, fosse também ouvindo a voz da sua ama entoando as cantigas de ninar que ela trazia das distantes terras da África. Eu simplesmente deixei que a intuição fosse dirigindo as minhas palavras e sugeri, por fim, que ele notasse a presença dela ali, bem perto, querendo de volta tê-lo junto a si.

Ainda com jeito duro ele falou que estava vendo a ama bem ali pertinho.

Parecia não entender muito bem esse fato, já que Sinhá havia morrido há tanto tempo. Disse que se sentia “atrapalhado das idéias ultimamente” e perguntou-me se eu era seu padre confessor; começou a bocejar antes que eu pudesse lhe dar resposta. Seu estado era outro; algo estava surgindo de dentro dele – era Amor.

Calmamente a médium foi mudando o semblante espelhando o estado em que a entidade se achava, que finalmente, após séculos, parecia dormir. Segundos depois comunicou-se através da mesma médium a própria Nêga Sinhá, agradecida por ter de volta “seu minino nos braço” e com jeito simples de falar, emanando um amor puro e doce, sem tamanho, se despediu com breve oração.

Por mais endurecido e aparentemente vazio de sentimento, o Amor já estava dentro dele. Tudo já está dentro de cada um e o importante é conseguir fazer as pontes, despertar os recursos, permitir o acesso.

Evocar boas memórias do passado onde a entidade esteve com aquele recurso, trazer à consciência a lembrança de uma pessoa importante, que seja referência valiosa, pode ser o ponto disparador, e o acesso então se faz.

Oportunamente trataremos aqui de outros pressupostos úteis da PNL e que interessam igualmente ao trabalho do doutrinador.

 
2- PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA E COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS


Enquanto isso, no gabinete mediúnico de um centro espírita, dois seres em diferentes planos da Vida têm a seguinte conversa:

– Eu sinto muito ódio! Quero me vingar! Serei duro e implacável. Ele vai sentir na pele as agruras que me fez passar.
– Olhe bem, você precisa perdoá-lo, meu irmão. Confie em Jesus e perdoe.
– Mas como posso perdoar atitudes como aquela? Ele me feriu muito!
– Esqueça o passado e procure a luz... Veja o quanto Deus já lhe abençoou em muitos instantes. Peça que seu guia clareie sua mente...
– Nada disso! Você não me entende mesmo. Vou embora!

Podemos imaginar que um diálogo como esse acontece com muita freqüência em reuniões mediúnicas nas quais espíritos obsessores apresentam-se através de médiuns.

O fenômeno da psicofonia permite então que o doutrinador estabeleça um diálogo, com o intuito de orientá-lo de alguma forma.

É muito fácil notar que no caso acima não houve sintonia alguma entre doutrinador e espírito comunicante.

O que será que impediu o sucesso dessa comunicação? Como poderia ser conduzida a conversa de modo mais interessante e com maior excelência no que diz respeito a ajudar, de fato, essa alma em sofrimento? Ter boa intenção é o bastante para se obter bons resultados na função de doutrinador?

Convido você a "dissecar" esse diálogo junto comigo, procurando observar, através da lente da Programação Neurolinguística, onde estão os pontos geradores de distanciamento e quais seriam algumas formas de condução mais úteis.

A princípio podemos obter desse diálogo indícios claros de que o espírito comunicante e o doutrinador estão em sistemas representacionais diferentes. Os sistemas representacionais são divididos didaticamente em três: Visual, Auditivo e Cinestésico. Este último engloba os sentidos físicos do Tato, Olfato e Paladar.

Normalmente as pessoas, encarnadas ou não, têm um sistema preferencial, e em sua comunicação acabam por revelá-lo com o uso frequente de palavras que o evidenciam.

No caso do diálogo que estamos analisando, podemos notar que o espírito se comunica usando o Cinestésico. Esse é o seu canal mais forte de comunicação. Destacamos a seguir algumas palavras que compõem sua fala e que demonstram isso:

"Sinto muito ódio!"

"Serei duro e implacável"

"Ele vai sentir na pele...". / "Ele me feriu muito!"

Esses verbetes indicam que a experiência sensorial naquele momento era muito cinestésica; sentir é um verbo profundamente cinestésico e o mesmo podemos dizer acerca das outras palavras que indicam sensações físicas táteis de dureza e de ferimento.

Se o seu interlocutor, o doutrinador, estivesse atento a esse ponto poderia ter usado termos que permitissem sintonia por semelhança. Poderia usar, por exemplo, expressões do tipo:

"Eu compreendo o que significa sentir-se ferido"

"Imagino o quanto é duro viver sensações como essa"

"Há feridas em você que ainda não cicatrizaram, não é?

Colocações feitas com esses termos poderiam criar uma aproximação a partir da confluência dos sistemas representacionais, além de demonstrar em seu conteúdo uma capacidade de acolher o outro, entrando em seu mundo.

Pelo que percebemos, enquanto o espírito falava em "cinestês", o doutrinador da mediúnica permanecia em "visualês", usando expressões como "olhe bem" e "procure a luz", que naquele momento não eram úteis para criar uma ponte inicial.

Aquele que tem mais consciência do seu propósito dentro da comunicação é o maior responsável em buscar construir essa ponte. Num primeiro momento entra-se no mundo do outro para em seguida trazer o outro para seu mundo.

A atenção ao sistema representacional é muito positiva também ao palestrante espírita.
Imaginando que na platéia ele terá sempre pessoas com os três sistemas representacionais, ao invés de ficar usando apenas palavras do seu canal preferencial, será muito valioso passear pelos três.

Exemplo: "Minhas amigas e meus amigos, boa noite. É muito bom vê-los aqui nesta noite festiva, nessa ocasião tão bonita em que comemoramos o Dia das Mães. Sinto-me muito honrado pelo convite que me foi feito, e quero que se sintam bem à vontade. Espero verdadeiramente deixar que meu coração fale aos seus corações nesse momento. Serei apenas um instrumento e deixarei que a música do Evangelho possa fluir através de mim."

Nessa comunicação notamos a utilização de palavras que excitam os três sistemas e assim a palestra poderá tocar maior número de pessoas, ao invés de ser lançada para um grupo específico, que normalmente coincide com o grupo que possui o mesmo sistema dominante do orador.

Quando isso acontece, aquele que não é privilegiado com termos em seu sistema vai perdendo o interesse, e talvez, para angústia do palestrante, pode acabar cochilando.
Aspectos como esse acerca de comunicação não eram analisados e passavam desapercebidos.

Voltando ao diálogo hipotético que ilustra o início do nosso artigo, temos também uma percepção muito clara de que o doutrinador buscava "transformar" o espírito obsessor, moldá-lo a partir do que ele considerava a "atitude correta". As suas palavras desqualificam as emoções expressas por aquele ser que se encontrava carente de apoio, de compreensão.

Para aquele que quer ajudar alguém, e não importa que esse alguém esteja neste ou no "outro mundo", é essencial considerar alguns pontos:

Não podemos transformar um outro ser num passe de mágica. Pura e simplesmente dizer "perdoe",como no exemplo em questão, é algo às vezes muitíssimo insensível. Podemos, entretanto, disparar seu potencial auto-transformador, chegando inicialmente mais perto do mundo do outro. Esse é o papel de um agente de mudança numa relação de ajuda.

Ao invés de julgar, é mais produtivo acolher. A confiança começa então a se estabelecer e, em consequência, o nível de influência vai aumentando. Algo que ajuda nesse sentido é ter em mente: eu próprio poderia estar sentindo o mesmo que ele está sentindo, se eu tivesse experimentado a mesma história de vida que ele teve.

Compreender não significa concordar. Não se trata de validar tudo o que o outro apresenta, mas de permitir que o outro se sinta compreendido. Embora nem sempre possamos dizer "concordo com você", sempre poderemos dizer "compreendo você". Essa é uma frase de acompanhamento que ajuda na criação de aproximação.

Em suma, a Programação Neurolinguística orienta o desenvolvimento de uma flexibilidade maior, de uma capacidade de migrar da posição perceptiva do EU para a posição do OUTRO, e de uma percepção mais aguçada dos detalhes que fazem diferença na comunicação.

Às vezes, uma única palavra pode fazer grande diferença.

Cá entre nós, o espírito que se comunicava no diálogo que analisamos foi até bastante educado agindo daquela forma e se retirando em seguida. Acho que diante de alguém que se propõe a ajudar, seria muito natural perder as estribeiras se essa pessoa se mostrasse com o discurso simplista do "perdoe" e "confie em Deus".

Para ajudar alguém a esquecer a dor e aceitar esses novos caminhos é importante primeiramente seguir o conselho do velho chefe indígena americano: "Primeiro experimente entrar nos mocassins do outro; imagine-se dentro dos seus sapatos, vivendo o que ele vive, para poder então dar qualquer orientação".

Continuaremos fazendo pontes entre PNL – Programação Neurolinguística - e Espiritismo no próximo artigo. Um abraço cheio de paz!



3- EXCELÊNCIA NA COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS


São muitos os tipos de dor que desfilam numa reunião mediúnica de desobsessão.

Através das comunicações que os médiuns psicofônicos canalizam, se descortinam diversos dramas protagonizados por espíritos em situações bem diferentes.

Há os vingativos, que desencarnaram em circunstâncias difíceis, às vezes em eras remotas, e ainda hoje alimentam grande ódio e esperam a chance de revidar. Em alguns casos se associam a outros espíritos que nutrem sentimentos semelhantes contra o mesmo inimigo, e nesses agrupamentos de terríveis vibrações acabam potencializando sua capacidade de ação.

Há também os que se mostram completamente alheios ao fato de que já saíram do cenário terrestre e  permanecem vinculados às mesmas necessidades que caracterizam um encarnado, como aquelas ligadas à fisiologia, comer, beber, ou mesmo querendo manter as viciações que lhes eram familiares em vida. Dessa forma, se aproximam de pessoas que fumam ou ingerem álcool, bem como drogas mais pesadas, imantando-se a elas e incentivando-as a continuar.

É comum também que se apresentem almas apaixonadas que não se conformam com a despedida, e querem manter seus laços sentimentais com aquele que ficou. Padecem de grande desconforto ao ver que sua mulher ou marido continua vivo no que diz respeito a sentimentos, e que se permitiu criar novos compromissos após o luto. São muitos os que confessam artimanhas de diversos matizes no sentido de prejudicar a nova aliança do seu antigo afeto.

Ainda há os desesperados por ajudar seus entes queridos e que somente atrapalham suas vidas; os desarmonizados que se acham apegados aos pertences materiais como a casa em que habitou; os religiosos que se arvoram em fazer cumprir a “Lei de Deus” tentando punir os infratores que encontram pela frente; os desequilibrados no tocante às energias sexuais e que, por afinidade, se vinculam aos encarnados dando-lhes impulso para incursões no mundo das perversões e parafilias.

Para o médium doutrinador, que é responsável pelo trabalho de ajudar essas entidades a dar um novo rumo a sua existência, o trabalho se assemelha em alguns aspectos ao de um terapeuta.

É importante que se apoie num grande sentimento de compaixão, fruto de um amor fraterno legítimo que lhe dê suporte para esse trabalho de aconselhamento intermundos.

Em muitos instantes se deparará com casos que podem assustá-lo ou mexer com suas próprias crenças e valores.

Como ajudar essa criatura que em sua última vida violentou e assassinou crianças? Como lidar com esse outro que pretende levar um ser humano ao suicídio? E aquele que se comunica através do médium, trazendo mensagens cheias de ameaças aos trabalhadores da própria reunião?

Antes de tudo, um médium doutrinador é alguém que acessa recursos de coragem e paz de espírito. É muito valioso que sua postura seja de não julgamento para que possa de fato entrar no mundo do Outro primeiramente para em seguida conduzi-lo a uma nova diretriz.

O doutrinador não precisa ser santo ou anjo; é gente, tem seus problemas e dificuldades como qualquer um. Todavia quer ajudar e fazer com excelência o seu labor, que é despertar um espírito sofredor para um novo estágio de maior crescimento em seu processo evolutivo.

Aquele que abraça esse importante papel da reunião mediúnica poderá valer-se de técnicas e conceitos provenientes de alguns modelos psicológicos que muito têm ajudado pessoas no mundo inteiro.

Nesta série de artigos, venho apresentando a Programação Neurolinguística – PNL, como ferramenta capaz de ajudar o médium doutrinador em seu trabalho.

Podemos citar aqui alguns dos pressupostos da PNL, que são postulados norteadores pertencentes ao seu universo de crenças, e que se mostram muito úteis. Trataremos a princípio de um deles:

O Mapa não é o Território

Esse pensamento vem do pensador Korzibsky, que relativiza o que se mostra como “realidade”. Assim como o menu não é a refeição, um retrato não é a pessoa, e o mapa não é o território, a compreensão de um fato não é o fato em si. Nenhum de nós pode se dizer dono da Verdade e por isso rejeitar a forma de pensar do outro sem uma análise mais respeitosa.

Esse princípio, aplicado à tarefa do médium doutrinador pode ajudá-lo a se afastar das dicotomias certo-errado, bom-ruim, mal-bem, apoiando-se em considerações mais flexíveis.

Pode, dessa forma, pensar que o “certo” para ele não é universal, é apenas o seu mapa de realidade.

Há pouco tempo atendi um espírito que se apresentava como chefe de uma organização de obsessores interessada em prejudicar um encarnado. Tratava-se de um desencarnado possuidor de muito conhecimento da Doutrina Espírita, mas dizia que nada do que lhe fosse falado surtiria qualquer efeito. Ele permaneceria firme em seu propósito de vingança. Acolhi com respeito seu ponto de vista, demonstrando sincera compreensão. Não me cabia ali outra postura; o início da comunicação pode ser mais fortemente voltado à construção de uma ponte com o mundo do Outro, como já abordamos antes.

No mapa dele, uma vez que havia sido muito prejudicado em outra existência por esse encarnado, cabia-lhe o direito de prejudicá-lo agora. E para isso contava com a ajuda de muitas outras entidades.

Por quase dez minutos do início da conversa o meu objetivo era parecer confiável, criar sintonia e conhecer o seu “mapa”, sua forma de pensar.

Como falava demais em “seus direitos”, imaginei que a idéia de apresentar documentos era uma forma de chegar mais próximo do seu mundo, e nesse momento surgiu intuitivamente a idéia de que havia um determinado documento que poderia especialmente ajudá-lo a saber mais sobre seus direitos.

Você se interessa em conhecer esse documento? – perguntei.

Claro que sim! Quero saber tudo o que diga respeito a essa questão – disse ele com firmeza.

Então, observe atentamente esse documento que um amigo lhe apresentará em alguns instantes – falei com forte convicção de que os espíritos estariam ali num trabalho conjunto, e completei – pode ser que muita coisa sobre seus direitos comecem a se esclarecer a partir do conhecimento que esse papel está trazendo.

Em alguns momentos a médium que lhe servia de canal foi mostrando uma expressão de dúvida, seu cenho ficou franzido, a boca entreaberta parecia balbuciar algumas palavras de incompreensão.

Não pode ser – disse ele através da médium – não pode ser... esse homem que ali está, matando aqueles inocentes... não pode ser... sou eu? Fui eu que fiz essas coisas?

Os espíritos que assistiam o trabalho permitiram que o “documento de direitos” se convertesse numa espécie de tela, e lá começaram a aparecer imagens de um passado onde a entidade havia agido de forma cruel, assassinando crianças, idosos e mulheres em uma aldeia. Atos como esses que ele próprio cometera eram ainda mais negativos que aqueles produzidos pelo encarnado alvo do seu ódio.

Talvez essas imagens tenham trazido dúvidas para você, e é muito importante, portanto, que você busque novos esclarecimentos. Esses amigos que aqui estão se mostram muito dispostos a lhe responder toda e qualquer pergunta que você tenha.

Sim, eu quero saber – disse ele com voz diferente, reflexiva.

Pode seguir com eles... isso mesmo... pode ir em paz...

Tendo em mente que o mapa não é o território, não nos cabe julgar e dizer coisas como: “O que é isso? Você não vê que está fazendo o mal e que tudo se reverterá em dor pra você mesmo? Perdoe e confie em Deus” etc.

Coisas assim, ditas logo no início de uma comunicação acabariam por promover distância entre espírito comunicante e médium doutrinador.

Para ele, no mapa que orienta suas ações e pensamentos, é direito seu agir como vem agindo. Antes de querer transformar a mente do outro, é fundamental pensar como ele pensa, sentir-se um pouco em sua pele.

Estabelecido o “encontro”, o processo de influência fica mais fácil.

Se quiser mais informações sobre a Programação Neurolinguística, cursos e livros sobre o assunto, bem como encontrar textos interessantes, sugiro visitar  nosso site: www.kau.pro.br   ou   www.golfinho.com.br.

E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.  
Comentários
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Antonieta Marques  - Doutrinação dos Espíritos |2011-03-10 01:39:15
Encontrei o site da PNL e fiquei encan-
tada, especialmente o que diz respeito
a
doutrinação dos Espíritos. Gostaria de
receber mais material para melhorar a

minha doutrinação. Gostaria, ainda, de
saber se aqui em Fortaleza tem
cursos
e onde comprar livros. Finalizo ansiosa
pelo retorno. Grata Antonieta.
Ignes Oliveira Sousa |2011-04-27 23:11:23
Gostaria de receber orientação sobre qto tempo deve durar a incorporação de
um medium em um trabalho de desobsessão
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