| BRINCANDO COM "CERTO" E "ERRADO" |
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(foto-ilustração: "Mão com Espinhos" / Kau Mascarenhas)
(de Kau Mascarenhas, www.proserinstituto.com.br) É certo que não se pode transformar uma outra pessoa. E é errado não demandar alguma energia para amparar aquele que anda em caminhos tortuosos. É certo que não se deve falar mal de quem está ausente. E é errado passar toda uma vida na presença de alguém sem abrir seus olhos para uma realidade a que ele está cego. É certo que olhar nos olhos representa atenção e respeito, consideração e segurança para muitos. E é errado imaginar que todos os olhos que fogem estão cheios de medo ou são merecedores de desconfiança. Muitos apenas ainda ignoram como contatar a alma do outro com o olhar. É certo que as companhias que temos podem mostrar muito acerca de quem somos. E é errado nos afastarmos dos que estão caídos ou feridos, equivocados ou perdidos, deixando assim de sermos faróis em suas vidas. É certo que o outro é um espelho que nos ajuda a saber muito sobre quem somos. E é errado achar que todo espelho sempre reflete de forma precisa aquilo com que se defronta. Ele pode apresentar uma imagem que merece cautela ao ser decifrada. É certo que cabeça de gente é um mundo insondável. E é errado esquecer de percorrer o universo de dentro do outro, na aventura indescritível de aprender como sua mente funciona. Mesmo sabendo que não vai ser possível saber tudo, o pequeno horizonte que for alcançado já é um rico tesouro. É certo que não é certo falar de certo e errado em se tratando de viver com gente. E é errado pensar sobre certo e errado, fazer tantos julgamentos e deixá-los entalados no peito, sem expô-los. Só quando enxergamos nossos julgamentos é que podemos dizer a nós mesmos que eles são úteis ou inúteis. Em se tratando de gente não há um certo e um errado absolutos, apenas o útil ou o inútil na busca da felicidade conjunta.
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