| APENAS TE VIVIA |
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Fuçar as próprias coisas, sobretudo mexer em velhos textos, torna-se uma verdadeira auto-arqueologia. Tal qual o sujeito na Grécia que dá uma topada numa coisa e quando vai olhar com calma percebe tratar-se do cucuruto de um deus mitológico feito em mármore quase completamente enterrado. Escava daqui e dali e... tchan tchan tchan tchan! Faz o achado importante de um sítio arqueológico valiosíssimo com 1.500 anos de idade. De vez em quando, acidentalmente, surge um texto que eu não lembrava ter escrito. Pois é... hoje eu me preparava para dar aulas, eram 5:30 da madruga, sol nascendo por detrás do horizonte da praia de Armação em minha janela, e o laptop me mostra uma poesia que fiz há bastante tempo. Ela fala de vidas que ficam vazias quando alguém se anula, esquece de si mesmo, por causa de um relacionamento.
Eis que surge, serendipticamente, um novo sítio de escavações, e recordo um tempo em que me apaguei por alguns anos para me encaixar naquilo que alguém queria que eu fosse. Resolvi compartilhar com você. Ah! Vale dizer que, no fundo, a escolha será sempre nossa.
Apenas te vivia
Olho para trás dos calcanhares,
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