Nem tanto ao mar, nem tanto à terra

Quando nos referimos à ciência, à religião, ou mesmo à filosofia, nos esquecemos que estas áreas do conhecimento nada mais são do que o produto final da ação de incontáveis consciências que, a seu modo, trabalham para construir o desenvolvimento humano.
Percebemos que mesmo na ciência, que a princípio nos parece tão sólida e uniforme, encontramos alguns cientistas sérios que se opõem a idéias que são consideradas como verdades indiscutíveis por outros tantos, evidenciando as diferenças que são inerentes a qualquer ser humano. Dentro destas diferenças, não existem os certos e os errados, existem os que contribuem, estejam acertando ou errando, já que o erro é parte indissociável do aprendizado, e os que não contribuem, já que nada propõem, nada geram, nem mesmo críticas.

Todo conhecimento científico parte de uma idéia. É necessário que alguém tenha “sonhado” antes de propor; e se sonhou e não propôs, nada fez.

É fundamental que se saiba a diferença entre uma teoria e uma verdade, diferença esta que, em certos casos, é muito difícil de se estabelecer. Vejam como até hoje a teoria da evolução de Darwin ainda é discutida de forma entusiasmada por várias vertentes da ciência, porém, sem as teorias não se desvendam as verdades, as duas coisas estão visceralmente ligadas, sendo assim, para o bem da própria ciência, é necessário que se “sonhe” e que se proponha, pois somente assim, os homens mais afeitos às provas, aqueles mais céticos, vão elaborar experimentos para afirmar ou refutar as idéias dos mais crédulos, mais intuitivos. Que seria da humanidade sem um e sem outro?

É natural que, diante de novas idéias e conhecimentos científicos, irmãos de ideal como no espiritismo, por exemplo, assumam uma postura mais cética e cuidadosa, buscando certezas antes de se pronunciar, tentando evitar a propagação de uma idéia falsa, enquanto outros se atiram em suas idéias preenchendo com seus pensamentos e suposições as lacunas do que já se sabe, sem medo do chamado “erro de cálculo”, é o mesmo fenômeno descrito acima, que se revela dentro das fileiras do espiritismo, ou melhor diria, da ciência espiritualista; e neste caso volto a perguntar: Que seria de nós sem estes dois tipos humanos? Que seria de nós se eles não pudessem se manifestar, colocar suas idéias e suas preocupações? Que seria de nós sem as sugestões de um e sem as críticas de outros?

Entre estes dois extremos, existe uma gama infinita de intensidades, tipos estes que no final, darão o tom, nem tanto ao mar, nem tanto a terra.

Nosso querido Kardec achava, de início, que o fenômeno das cadeiras girantes eram uma frivolidade, entretanto não se furtou a estudá-lo, tampouco de estabelecer uma doutrina revolucionária que até hoje provoca discussões acaloradas e que, mesmo sendo cada vez mais fortificada pelo avanço da ciência, ainda tem de ser considerada apenas uma hipótese dentro da ciência.

O que não é desejável em nenhuma estância é a falta de respeito e bom senso em nossas manifestações, sejam faladas ou escritas, pois creio que já atingimos maturidade suficiente para colocarmos nossas idéias, argumentando de forma racional, sem precisar atacar ou depreciar aquele ou aqueles que defendem idéia contrária.

As teorias são parte fundamental e legítima da ciência, assim como o equilíbrio e a ética para não colocá-las como verdades científicas.

A física quântica tem revolucionado nosso planeta, e muito ainda se espera dela e de tudo o que ela ainda há de acordar para nosso conhecimento e compreensão do universo; neste processo certamente ocorrerão equívocos, como têm ocorrido ao longo dos séculos, sem que isso impeça o desenvolvimento humano, muito pelo contrário.

Não sou físico, sou médico, um médico espírita, que se preocupa em tentar formular hipóteses que dêem suporte para a ponte entre a ciência e a espiritualidade, sem nenhuma pretensão de revolucionar a medicina, nem a biologia, que dirá então a física, mas me reservo o direito de sonhar, de sonhar até na física, pois tento entendê-la como fiz com a biologia e com a medicina, já que teorias construídas sobre as lacunas do saber não podem ser consideradas certas ou erradas, devem ser sim, entendidas como contribuições que inevitavelmente serão julgadas no futuro diante do conhecimento que vier negá-las ou confirmá-las, total ou parcialmente.

Tenho a firme convicção que a única maneira de estar sempre errado é não fazer nada, não propor nada, não se expor nunca, pois a verdade é muito mais poderosa que qualquer tipo de erro que possa cometer um pesquisador ou um pensador, mas a velocidade de crescimento do conhecimento humano é proporcional à ousadia daqueles que propõem, que sugerem, que se permitem sonhar.

Ao propormos certas teorias, humildemente apoiados em argumentos reais da ciência estabelecida, como faz o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira em seus artigos e palestras, como fez a Dra. Marlene Nobre no livro a “Alma da Matéria”, ou como eu mesmo me aventurei a fazer nos livros “Fisiologia Transdimensional” e “A Reencarnação como Lei Biológica”, em nenhum momento, afirmações que não podem ser comprovadas foram designadas como verdades científicas, contudo, não se podem negar a força dos argumentos calcados na revelação espírita e que podem, desde já, trazer soluções teóricas para as tais lacunas da ciência, já que, no mínimo, farão pensar os mais céticos e os descrentes, estimulando-os à comprovação ou negação das mesmas.

André Luiz, autor espiritual, iniciou sua bibliografia pela pena de Francisco Cândido Xavier em 1943 com o livro “Nosso Lar”, suas histórias que pareciam bastante despretensiosas, revelaram um conteúdo científico incomensurável; aquele homem de origem humilde e de formação escolar incompleta, passou a antecipar dados que a ciência só revelariam para a humanidade muitos anos depois, assim como várias informações desta valiosa obra que ainda se mantém misteriosas, posto que ainda temos alguma dificuldade de entendê-las, comprovando o muito que ainda temos a construir.

Creio que só isso já credenciaria o médium Chico Xavier, autenticando sua obra mediúnica, todavia, na minha opinião, este é apenas um mísero detalhe diante da “autoridade do exemplo” que ele exerceu por toda uma vida de coerência absoluta com seus ideais. Lembremo-nos de Jesus quando ele nos ensina que devemos reconhecer a árvore por seus frutos.

Quanto a André Luiz, acho que devemos cotejar seus ensinamentos com a literatura científica e não mais com a literatura mediúnica, dado às características e o conteúdo da sua obra, sempre um ou dois passos à frente da ciência moderna. Este importante médico do além deve ser uma referência para nós encarnados que pretendemos colaborar com o avanço da ciência espiritualista.

Não se podem evitar as críticas às nossas idéias, pois elas sempre existirão, que bom, pois o teu crítico é que te faz crescer, no entanto, não se pode criticar o direito de expressão que é próprio de cada um de nós, sob nenhuma circunstância, pois parafraseando Voltaire:
“Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo”.

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