NESTE 12 DE JUNHO…

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SER OU NÃO SER, DAR OU NÃO DAR PRESENTE?
(texto e ilustração de Kau Mascarenhas)
Hoje, Dia dos Namorados, resolvi escrever um texto de “utilidade pública” sobre definições. Ou in-definições.
Sei o quanto é delicado esperar um presente neste 12 de junho e não receber.
Pode ser ainda mais complicado dar um presente e não ter outro em troca, o que pode deixar a pessoa numa saia justa.
Na verdade ele ou ela nunca imaginou que estivesse namorando você e por isso não investiu  tempo nem dinheiro num mimo pra te oferecer neste dia.
Maridos e esposas confessam-se eternos namorados e trocam presentes hoje. Noivos, idem.
Mas quando, na pós-modernidade, entramos na seara do “terreno não oficializado”, enveredamos por uma seara repleta de in-definições e partimos para observar papéis tão fluidos que resolvi escrever uma listagem que nos ajude a compreender o que se “é” em relação a uma pessoa.
Obviamente surgirão controvérsias e não há qualquer pretensão de minha parte em fechar os conceitos de forma rígida.
Aceito de bom grado as críticas e sugestões que venham em relação às nomenclaturas apresentadas bem como às minhas sugestões de se devemos ou não dar presente nessa data.  Para algum par com quem alguém se relacione.
Como dizemos costumeiramente em PNL, programação neurolinguística, parafraseando o Alfred Korzybski (“Science and Sanity”), o Mapa não é o Território. Portanto há fato e há opiniões, mas nós alcançamos apenas os mapas e nunca os fatos. Segundo outros filósofos e pensadores, nunca se atinge o real.
Aqui trato das minhas opiniões e não dos fatos, portanto.
O ponto é que quando tratamos das questões da emocionalidade e do sentimento humano levamos em conta o conceito de que tudo é muito “líquido” ultimamente, no dizer de Zygmunt Bauman (“Amor Líquido”).
Vamos lá, portanto, aos termos e às sugestões sobre dar ou não presentes:

1 – Namorado: Refere-se a uma pessoa com quem se tem um compromisso afetivo efetivo, firmado como tal, com vias a evoluir para noivado (nem sempre necessário como degrau posterior) e/ou para casamento. Normalmente há nessa nomenclatura algumas suposições do tipo: exclusividade sexual, busca de diversão juntos, planos que envolvem os dois, prioridade em relação a outras pessoas e coisas tais. Quando alguém diz que está namorando, evidencia uma ideia de relacionamento duradouro onde há sentimento. Normalmente se compartilha a presença dessa pessoa com amigos e família depois de algum tempo. Para uma pessoa nesse status, definitivamente, é importante dar presente hoje, ok? É o seu dia – segundo a mídia…

 

2 – Namorado em regime aberto: Trata-se de alguém numa relação com você com todas as características acima, com exceção da exclusividade sexual. Por definição, no “contrato” de relacionamento formal ou informalmente definido, os dois lados ou um deles se coloca como não desejoso de estabelecer garantia de fidelidade. Aliás, se já estamos aqui falando de realidade exposta bem às claras, então porque não dizer que há fidelidade? Na verdade talvez aqui tratemos de lealdade. As coisas estão realmente abertas e os dois (ou mais…) lados sabem com quem estão lidando. Até compartilham experiências dizendo com quem mais estão saindo etc. A ideia é a de que se é prioridade. Sabe aquela história de matriz e filiais? Pois é. Sim, dê presente hoje a esse par.
3 – Namorado em regime semi-aberto: É algo parecido com a definição acima, contudo não há partilha de experiências. A ideia é mais ou menos assim: “você pode fazer o que quiser, dar suas escapadinhas, e brincar à vontade desde que eu continue sendo a matriz e não fique sabendo do que você faz como outros”. Ah, e pode haver também o adendo: “E saiba que o que vale pra um, vale pro outro, ok? Se você pode, eu posso”. Claro, dê presente hoje pra essa pessoa.
4 – Rolo: Normalmente alguém se diz “enrolado” quando a situação não está muito bem definida. Parece um namoro, mas ainda não é. Parece uma coisa séria, mas ainda não se mostra assim. Parece que um gosta do outro, mas há momentos em que acha que não gosta. Pessoas enroladas costumam cobrar coisas que namorados cobram, mas não costumam oferecer sempre coisas que namorados oferecem. Os contratos estão meio incertos e a pessoa nem sabe o que dizer na hora de apresentar o par a algum amigo. Ocorrem coisas do tipo: “Oi, Renata, esse aqui é meu… deixa ver… tipo assim… huummm… bem… esse aqui é o Antônio.” Na dúvida, dê um presente.
Uma pausa importante se faz necessária aqui antes de continuarmos as definições. Vale dizer que um par pode achar que é namorado (a) e do outro lado seu papel é visto de forma diversa, como por exemplo um “rolo”. O ser humano é muito subjetivo mesmo, e o coração é de fato um bicho estranho.
Seguindo:
5 – Paixão: Alguém pode estar apaixonado por outra pessoa independentemente de ter com ela um relacionamento concreto. Muitas vezes é possível ver pessoas agirem como apaixonados, chamam o par (qualquer que seja o seu status) de “minha paixão” mas não há compromissos de agir dessa ou daquela forma em relação a ele. Diz-se “fulano é minha paixão” quando se quer representar inequivocamente a importância dessa pessoa, seja quem ela for na vida de quem fala. Pode ser até uma relação do tipo platônico, que nem sequer pressupõe contato físico e nem mesmo a confissão do sentimento. É bom dar um presente hoje para uma paixão. Mas não dê se ela for platônica. A menos que o presente seja a forma escolhida para mandar-se o platonismo para as cucuias e começar a estabelecer algo mais objetivo.
6 – Amor bandido: Quando alguém rotula o par dessa forma quer dizer que está consciente de que se meteu com chave de cadeia. Há algum drama maior envolvido. Vai do “tô me relacionando com um traficante” ao “putz! tô saindo com um político casado e com 4 filhos”. Normalmente são relações que se quer ocultar, dão dor de cabeça, geram perrengues de diversas formas e levam você a pensar muitas vezes “pra merecer isso eu devo ter salgado a Santa Ceia, atirado pedra na cruz, e pichado o muro de Jericó!”. Não aconselho dar presente. Na verdade o quanto mais rapidamente você sair desse barco, melhor.
7 – Melhores amigos: Quando se ama, se adora, se é louco por alguém mas não rola qualquer tesão ou expectativa de partir pra outro tipo de status com ele ou ela. Nos Estados Unidos os melhores amigos, e não só os namorados, trocam presentes no Valentine´s Day em fevereiro. No Brasil não é comum e pode até gerar confusão.
8 – AQT: Essa é a sigla para o “Amigo que Transa”. Trata-se de um amigo mesmo, brother ou sister, gente boa com quem se pode ter papos legais, com quem se pode contar em dificuldades, parceirão e confidente, alguém que para outros amigos e parentes é apresentado no status de amigo(a), mas que, em dadas circunstâncias e entre 4 paredes desperta atração sexual. Nessa pegada, acaba rolando um sexo carinhoso ou selvagem, mas sem qualquer perspectiva de se estabelecer novo status. Para algumas pessoas esse é um tipo de relacionamento bem delicado que pode despertar ciúmes e coisas mais próprias à relação de namoro. Para outros, é algo bem vindo e super bem estabelecido. Cada cabeça é um mundo, né? Não acho necessário dar presente hoje.
9 – Amante, Caso, “Cacho”: O amante sabe que seu par é casado ou tem compromisso fixo, juramentado, com outra pessoa. Se quiser manter o status lembre da Regra número 38, inciso #14 do Código dos Relacionamentos Triangulares: “respeite o acordo que estabeleceram e evite competir com o(a) rival”. Trata-se de bom senso. É algo estabelecido e você já sabe que chegou depois no cenário – aliás, você sabe, né? Na verdade um presente nessa situação pode ser apenas uma artimanha sua para desestruturar o casamento do outro se o tal mimo for descoberto. Na sua cabecinha, quem sabe, seu estratagema faça ele vir correndo para os seus braços caso o caso venha à tona. Normalmente é um tiro no pé. A pessoa lhe dá um chute porque fica “p” da vida com a sua aprontação, que é considerada uma deslealdade, e o relacionamento com o par original ainda se fortalece. O outro pode ter uma relação muito boa do outro lado e amar o casamento que construiu mesmo que não ame tanto assim a esposa ou o esposo, apesar de ter por você uma paixão. Na moral, se tem dúvidas quanto a dar o presente, delibere colocando emoção e razão na balança. De repente um presente ultra-neutro pode ser mais inteligente.
10- Ficante: É uma pessoa com quem não se tem relacionamento formal, com quem é bom dividir momentos de carinho e até de sexo, fazer alguns programas juntos, mas de quem não se pode esperar qualquer definição quanto a mudanças de status. Logicamente não há compromisso de exclusividade nem qualquer garantia de longevidade da relação. O ficante dá direito ao seu par até de sumir. Se sou ficante de alguém tanto a mim quanto ao ficante é permitido namorar outras pessoas ou ter pares de qualquer status. Os contatos não são regulares como nos namoros. Pode ser legal dar um presente sim. Ou não. É com você, beleza?
11- Ficante fixo: Trata-se de um ficante com quem se tem contato frequentemente, e muitas vezes suprem necessidades de afeição e de atenção. Às vezes são relações gostosas, carinhosas, e que se assemelham a um namoro aberto sem neuras ou a um tipo de AQT, sem qualquer tipo de cobrança. Pessoas ocupadas mas que gostam de ter alguém para passar uns bons momentos, trocar umas ideias, fazer um programinha a dois, ir a uma festa ou show juntos, experimentar sexo com mais intimidade, optam com certa frequência por estabelecer esse status na vida de alguém. Vale dar um presente? Pode ser, mas não é obrigatório. Um telefonema ou torpedo já cairia bem como demonstração de carinho e consideração, mesmo que não seja uma mensagem se dizendo “namorado(a)”. Forçar definição poderia assustar o ficante fixo fazendo ele deixar de ser fixo, ou até mesmo de ser ficante. Alguns não lidam bem com compromissos firmados.

 

12- Amizade Colorida: Termo que caiu em desuso. Foi muito comum nos 80´s mas hoje é substituída com vantagem pelos termos AQT ou Ficante – ou sua derivação de Ficante Fixo – que são mais específicos.
13- Peguete: Sexo de uma só noite, ou manhã, ou tarde, bem fisiológico e sem qualquer envolvimento. Pode ser originário de festas, shows, chat da Net, redes e/ou aplicativos sociais. Tratam-se de pessoas que se gostam na cama e depois que saem dela, ninguém é de ninguém. Não precisa haver qualquer preocupação em se ligar no dia seguinte, quanto mais de dar presente hoje.
14- Periguete ou piriguete: Outro neologismo. Diz-se do par que não é nem um par ainda mas que se insinua como tal pela forma sedutora como procede. Normalmente se apresenta com roupas ou atitudes provocativas, mas isso não é regra. No passado, para as mulheres, as expressões “sirigaitas” ou “salientes” eram usadas nesse sentido e para os homens, o sinônimo era “Don Juan” . Um (a) piriguete pode estar em qualquer status dessa lista. Reze para que não seja seu namorado ou namorada. A expressão, popularizada pela cantora e atriz Ivete Sangalo, acabou  conquistando expansão de proporções continentais e serve como elogio ou xingamento a depender do caso. Alguns a utilizam sem qualquer juízo de valor, apenas para definir alguém que se conheceu, com quem se quer ir para os finalmentes, mas que ainda não se encaixa em qualquer outro status. Dar presente? Dar flores? Pra quê? A menos que seja uma vontade sua, pois para o outro lado é bem provável que a vontade seja outra.
Bem, essa é a minha lista e pode ter certeza que está longe de ser definitiva. Você próprio pode ter outras nomenclaturas, afinal este mundo é muito plural e diverso.
Tomara que esse texto e minha ilustração tenha ajudado você hoje no quesito dar ou não dar presente. Desejo que tenha um ótimo 12 de Junho e que busque momentos felizes, dando presentes ou não, só ou acompanhado.
No fundo no fundo, e no raso também, quando se trata de ser humano, todas as formas de encontrar felicidade e de expressar amor são compreensíveis.
É bom fechar essa matéria lembrando que o maior amor que podemos ter é amar quem somos. E se hoje você estiver sozinho, que tal comprar um presente para si mesmo?
Faz sentido?

 

Abraços!
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