O “salvador” de almas, a doença das pessoas que tentam controlar os relacionamentos

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Algumas pessoas confundem bondade com o compromisso de “salvar” alguém que esteja em momentos difíceis ou sob jugo de algum vício ou comportamento destrutivo.

Por traz desse comportamento, considerado como amor e generosidade por muita gente, pode esconder uma terrível doença chamada co-dependência. É quando esse “salvador” acredita que somente se comportando como um gestor de mimos, bons tratos e ações pelo bem de alguém, ele será recompensado com uma melhor postura da parte dessa pessoa. Para isso, ele se torna completamente disponível aos seus laços afetivos, não se importando e nem prestigiando a si mesmo, sobrecarregando-se com excesso de obrigações, acreditando que quanto mais fizer, mais será amado e reconhecido ou, o que é pior, mais chances têm de “salvar” a pessoa daquela condição infeliz.

Normalmente, os codependentes, ao assumirem essa tutela obsessiva com pessoas próximas vivem tentando ajudar a outra pessoa, esquecendo, na maior parte do tempo, de cuidar de si mesmo, auto sabotando-se. Sentem-se responsáveis pelo mundo inteiro e recusam ser responsáveis por suas próprias vidas. São pessoas que se autoabandonam, sentem muita culpa em serem felizes e carregam uma sofrível baixa autoestima. Não dão conta de resolver nem suas próprias pendências e querem organizar a vida dos outros.

A co-dependência é o caminho do adoecimento das relações e da criação de famílias disfuncionais, aquelas nas quais não há uma boa comunicação dos sentimentos e nem definição clara de papéis.

Essa atitude patológica costuma acometer mães (e pais), esposas (e maridos) e namoradas(os) de alcoolistas, dependentes químicos, jogadores compulsivos, alguns sociopatas, sexuais compulsivos, etc. Contudo, pode-se TAMBÉM observar essa doença em pessoas que tentam CONTROLAR e tomar conta dos comportamentos de quem ela julga não estar bem, ou ajustado com modelos sociais. Tentam controlar para que os filhos não sofram, tentam controlar para que não passem por traições, tentam controlar para ter a sensação que possuem e não vão experimentar decepções e situações ruins na vida.

É comum vê-los na atitude de “salvadores”, isto é, aquele que faz coisas que não quer fazer apenas para continuar merecendo o amor ou uma melhor resposta dessas pessoas. Eles não conseguem dizer NÃO. Costumam ser idealistas a respeito de suas relações e de sua vida. Gastam uma enorme energia para que as pessoas e os acontecimentos fiquem exatamente como gostariam que fossem, ou como supõem ser o melhor e mais correto. Veneram os padrões de certo e errado, sendo muito pouco flexíveis. Outra característica típica é achar que podem mudar as pessoas que ama. E como ninguém nessa vida consegue isso, o codependente é alguém profundamente magoado quase todo o tempo em sua convivência. Para amenizar sua mágoa, adora fazer papel de vítima como se fosse a última alternativa para controlar as pessoas com quem nutre algum nível de afeto.

O assunto é muito vasto, não é possível encerra-lo em um artigo. Essa doença é muito mais presente na sociedade que se imagina, embora “silenciosa”. Ressalte-se ainda que ela não se cura apenas com livros de autoconhecimento, religião e oração. É preciso tratamento especializado em consultório com um trabalho lento e cuidadoso de educação emocional e psicoterapia, para descobrir as razões mais profundas que levam o doente a barganhar o amor e idealizar as relações.

Se você se enquadra em alguns dos itens citados, não adie a busca da ajuda. Sozinho é praticamente impossível sair de tais quadros, que ainda podem evoluir para outras doenças psíquicas mais severas. Cuide de você. Invista em você.

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