Não tenha paz individual

A sociedade pós-moderna se encontra em um dilema: protege-se de si mesma, fingindo que nada vê do que lhe acontece, aceitando como natural toda a degradação dos seus valores, ou se renova na forma de se indignar, mostrar a sua não-aceitação à deterioração crescente do sentido de vida em agrupamento. É natural que busquemos sempre a autoproteção da indiferença, como forma de não nos angustiarmos com o nosso derredor. Entendo, assim, que toda paz individual é covarde, não é justa, porquanto egoísta por excelência. Foge do coletivo e dos seus problemas, para soltar pombinhas brancas, não resolvendo, dessa forma, problema algum da sociedade em que estamos contextualizados.

É de doer ver um soldado de uma das forças armadas da nação comprar um carro possivelmente roubado, matar pessoas, e os seus amigos, também militares, afirmarem que ele não corria muito, mesmo com o carro  acabado. Será mais um crime de trânsito a ficar certamente na impunidade. É difícil vermos um formador de opinião como Boris Casoy ridicularizar em “off” os pobres dos garis, por eles desejarem feliz ano novo, para no dia seguinte, por força da repercussão negativa, pedir desculpas protocolares, exigidas, seguramente, pelos seus superiores.

É revoltante a desfaçatez de políticos corruptos apegados aos seus cargos se manterem acima do bem e do mal do nosso cotidiano, como se tudo fosse normal. Não é de se entender quando a maioria do povo brasileiro acredita que o seu presidente seja dono da maior credibilidade do País, conforme pesquisa recente, mesmo apadrinhando mensaleiros, Sarney, Collor… É de matar quando vemos religiosos manipulando, enganando, sendo atores de uma ópera bufa.

Mantenhamos a nossa indignação atuante, a “irresignação” a nos estimular, pois, só assim, estaremos fazendo uma sociedade forte e digna, uma cidadania atuante e fiscalizadora, movimentos sociais conscientes e controladores, na reprimenda dos jogos de conivência e conveniência, que sempre acabam desaguando no compadrio, nos conchavos geradores de uma injustiça sem fim.

José Medrado – mestrando em família pela Ucsal e fundador da Cidade da Luz.

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