A Sacolinha

Disse Paulo, o apóstolo dos gentios, em Rm 12.3: “Ninguém tenha em si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, ao contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu”.

É impressionante como os que se arvoram no patamar de “espíritos superiores”, “defensores dos princípios doutrinários”, “reguladores do certo e do errado” são sempre os que defenestram de suas almas os princípios cristãos da conduta e do comportamento. Vivenciam a sua “fé” como instrumento de vazão de sua presunção e arrogância, tentam afivelar máscaras de santarrões, mas não passam de hipócritas que, no teatro grego, eram os atores que representavam sem nunca tomar decisões sobre o texto; seus talentos estavam em convencer a plateia de que eles não eram eles mesmos, mas, sim, aqueles personagens ali no palco. Milênios se passaram e não surgiu palavra melhor para definir muitos religiosos, que continuam tão dissimulados quanto seus ancestrais do teatro, afinal de contas, permanecem vivendo e fazendo o seu teatro, mas com textos agregados da filosofia dos eufemistas e falaciosos.

É muito interessante, por exemplo, como criticam a Cidade da Luz, porque lá passamos a “sacolinha”, onde os presentes contribuem com o que quiserem, sem estipulação de valores, e a não contribuição não vira empecilho para não participarem da reunião, como sempre se fez nas igrejas católicas; nas evangélicas, o valor é estipulado e se cria a compulsoriedade do dízimo. Pois bem, eu agora questiono: os tais seminários, workshopings onde os participantes são obrigados a pagar uma entrada e têm com isso um crachá de acesso, caso contrário não entram, é melhor que a minha sacolinha? Hipócritas! Na Cidade da Luz, ninguém fica sem entrar para a reunião sem a colaboração e, nesses eventos, há “guardas” na porta que não deixam de forma alguma a pessoa entrar sem ter pago.

Os eufemistas de plantão dirão: É diferente, pois no seminário vai quem quer. No Centro, não? Ah! Mas é para cobrir os gastos. No Centro, não? A verdade é que muitos querem fazer, mas temem, acovardam-se, pois as dificuldades que os Centros passam são imensas, e cada dirigente é que sabe o que precisa fazer para enfrentar suas despesas.

De jeito algum discordo que tais seminários sejam cobrados, mas, impedir acesso e dizer que é diferente da sacolinha da Cidade da Luz, façam-me o favor, é mais que hipocrisia, é querer convencer que a Luz é quadrada.

A verdade é que ninguém fica na beira-da-estrada jogando pedra em árvore de eucalipto, não tem fruto. A decência não se mede por práticas exteriores, mas sim por conduta moral, por histórico de vida e verdade na vivência de sua fé.

As pessoas se encontram mais descrentes, pois os que se arvoram em “representantes” de forças superiores, enviados divinos agem como esguias serpentes, rastejantes e sinuosas, deslocando de acordo com os seus interesses e conveniências, mas sempre a postos, quando for para dar o bote. Tudo com muita artimanha e dissimulação, mas há os que as percebem.

José Medrado é médium, fundador e presidente da Cidade da Luz

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