ASAS NO CORAÇÃO

Eu sei que os pombos são “ratos com asas”, são vistos como praga, espalham doenças etc. mas em Veneza brinquei com eles.
Com saquinhos de milho eu os atraí e me diverti. Há sete anos…
Hoje, numa faxina digital, vasculhei arquivos antigos com a intenção de liberar espaço num pen drive e me deparei com esse momento. As fotos nos esnobam porque conseguem congelar os instantes que nossa neurofisiologia esqueceu.
Como teria sido minha vida sem aquele prazer?
E como seria a Praça de São Marcos sem eles? Sem essa poesia volitando em seu céu, ou brincando em seu chão?
Ali eu era um menino e ele venceu o adulto que me dizia: “são sujos”.
A criança na alma desafiava: “e daí?”
Perdeu o limpo, o certo, o adequado.
Venceu o bobo, o feliz, o encantado.
Eu me permiti o mergulho.
Estava sem barba e, igualmente, com menos juízo. Excelente!
Ver-me com essas asas todas nos braços serve para lembrar-me do quanto gosto de voar, apesar dos riscos.
Apaixonar-me, por exemplo, é voar. E é bom.
Pois ficar somente no chão, que é lugar seguro, em algum instante entedia e empobrece.
E assim entendo os das alturas, os que se lançam e os que escalam. Paraquedistas e alpinistas.
Entendo também os mergulhadores, os saltadores – corajosos e insanos que se jogam.
São todos “sijogosos” e têm muito o que ensinar.
Esse Kau aí das fotos, separado do Kau de agora por sete anos, me diz muita coisa.
Que consiga ouvi-lo.
Pois um dia nos adultificamos e os pombos saem dos braços.
Que nunca saiam do coração.

 

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