| Diante da Realidade do Medo |
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Na tentativa de dividirmos com nossos leitores aquilo sobre o qual temos refletido, busquemos falar do medo.
Assunto tão em moda, em especial, nos dias que se seguem, onde a violência vige e as criaturas, sentindo-se inseguras, fogem para suas casas, as quais se tornam verdadeiras cadeias. Muitos são aqueles que confundem medo com fobia e pânico, atribuindo a estes estados a mesma condição. Na realidade, medo é uma emoção natural e, provavelmente, a mais primitiva delas . Presente em seres evolutivamente simples, continua a existir no homem, durante toda a sua existência, apesar de muitos crerem que os corajosos não o sentem. Certamente, pelas reações de desconforto que provoca na criatura, ele não consegue ser visto de forma positiva por muitos. Entretanto, como temos aprendido nos estudos sobre evolução, tudo que é antigo e permanece no ser, faz-se fator de sobrevivência. Perguntariam alguns: para que serve uma emoção tão incomoda? Gostaríamos, antes de dar esta resposta, definir o que seja emoção e, em especial, o que é o medo. A criatura teria basicamente três formas de sentir: - a sensação, de caráter somático, originária dos sentidos(tato, paladar...); - a emoção, que apresenta um componente psíquico associado a uma manifestação corporal; - e o sentimento, que não necessita de uma expressão somática, fazendo parte do mundo psíquico. Segundo a psicologia de abordagem sistêmica teríamos cinco emoções naturais básicas, ou seja, elas fariam parte da natureza humana e imprescindíveis para a sobrevivência do ser , em seu aspecto positivo. Essas seriam: o medo, a raiva, a alegria , a tristeza e a preocupação. O medo como emoção mais primitiva, presente em reinos inferiores ao humano, caracteriza-se pela reação psicossomática que o criatura apresenta diante do desconhecido. Toda a vez que o ser vê-se diante de uma experiência inédita em sua vida, o medo apresenta-se, não com o objetivo do sofrimento, mas para resguardá-lo, protegê-lo de situações até então desconhecidas, as quais poderiam feri-lo ou prejudicá-lo. Ele seria responsável pelos ensinamento primitivos do limite, oferecendo a criatura recursos para delimitar suas ações. Sem o medo, o indivíduo faz-se destemido, pondo em risco a sua vida. Esse destemor, entretanto, não significa força e capacidade de discernimento; ao contrário, nasce da ignorância e do desrespeito a própria individualidade. A única forma de vencê-lo encontra-se na coragem. O que ocorre, porém, em nossa sociedade de cultura latino-americana, de cunho machista, é que a coragem é confundida com um conjunto de atitudes que aparentemente demonstram força, mas que na realidade íntima mais falam de uma fragilidade interior. Há uma imensa confusão entre coragem e valentia. A primeira é fruto do reconhecimento da existência do medo. Só é verdadeiramente corajoso aquele que aceita o seu medo, que reconhece os seus limites, agindo conforme o seus sentimentos mais íntimos e nobres(por sinal, a palavra vem do latim cor + agire, ou seja, agir segundo o coração). Os corajosos são os que verdadeiramente apresentam-se fortes, até porque fazer-se forte não é atuar utilizando-se da força física, mas reconhecer suas limitações pessoais e reagir conforme essas potencialidades. A valentia, ao contrário, não é uma ação dos fortes; o valente é movido pela sua insegurança interior, pela covardia que há em si. Só se faz forte diante dos fracos e inválidos; perante os iguais ou superiores foge ou retrai-se, movido pelo temor que, geralmente, procura negar. Na cultura latino-americana, o medo é negado de forma explícita para os homens. Desde criança, é ensinado que o menino não deve ter medo, que não pode chorar. Assim, negando o medo, o menino não exercita a coragem e não adquire a força. Por isso, o verdadeiro sexo forte em nossa cultura é o feminino. Exemplo disso é facilmente visto nos serviços de urgência médica: normalmente, são as mães que acompanham os filhos acidentados ou gravemente doentes, postando-se ao lado desses com zelo e força. Se a companhia é dos pais, o que ocorre, em geral, é ter-se dois doentes, pois aqueles passam mal não suportando a situação. Outra situação bem clara é a da viuvez; as mulheres normalmente a suportam com maior força, criando muitas vezes os filhos sozinhas, o que não é comum entre os homens. Dentro desses exemplos deve ficar claro que o medo não deixa de existir. É o seu reconhecimento e a criação de mecanismos para resolvê-lo que fortalece a criatura. Ser forte não é deixar de ter medo; até porque existem situações reais em que o medo é verdadeiro, tem que ser respeitado para se preservar a vida. É o caso do medo do ataque de malfeitores, de animais ferozes, de lugares perigosos... Essas situações podem demonstrar-nos o valor do medo em nossas vidas. Entretanto, existe o polo oposto do medo: a emoção estragada, a qual chamamos fobia, o medo que adoeceu. Nessa condição, já não há um crescimento. A emoção adoecida paralisa a criatura. Muitos desses medos podem estar relacionados com situações traumáticas dessa mesma existência, em especial, ocorridos na primeira infância, mas também em qualquer outra época, sendo proporcionais a gravidade dos traumas. Surgem, também, os medos aparentemente sem lógica e causa, explicados pela psicologia como projeções de outros objetos de medo, os quais são negados estarem nessa situação. Temos o medo de pequenos animais como insetos, lagartixas e etc, representando situações primitivas vividas com as figuras parentais. Nesse caso, a doutrina reencarnacionista pode ser mais elucidativa. Em alguns casos, talvez na maioria, estariam relacionados com vivências traumáticas de outras encarnações. De certa feita, estando acompanhando um processo de regressão em uma pessoa com medo de pequenos animais, em especial, baratas e ratos; esta foi levada a uma outra vida, quando escravo de uma fazenda e tendo desagradado a senhoria, esta mandou amarrá-lo em tocos que ficavam debaixo da casa, onde corria o esgoto. Abandonado ali, chegou o óbito, tendo sido em muitos momentos ferido por aqueles animais, os quais lhe causaram uma infecção responsável por sua morte. Em outros casos o medo não tem uma relação direta, mas existiram situações vividas em outras encarnações que culminaram com uma manifestação correlacionada àquelas. Por exemplo, uma criatura que empurrou alguém de uma certa altura, levando-o a morte, por temer as conseqüências da Lei de Causa e Efeito, passa a fugir de lugares altos ou de avião, por acreditar que será punido em situação semelhante, por não ter se perdoado do gesto anterior. A cultura da culpa, ou seja, de promover a culpa nas criaturas, é outra responsável pelos quadros de fobia. Esse tipo de opressão exacerba os medos, fazendo dos homens criaturas expostas a condições extremamente aflitivas, colocando-se sob o poder de mentes, as quais se creditam portadoras de poderes para eliminar tais medos. Nesses casos, vemos as religiões tradicionais atuarem de forma excepcional, principalmente, quando transformam-se em indústrias do pecado, por sinal, o negócio mais rendoso, em todos os momentos da humanidade. O primeiro passo, nesses casos, é o reconhecer o medo, para poder enfrentá-lo em uma fase posterior. Esse enfrentamento, porém, exige, na maioria das vezes, de uma ajuda exterior. O Espiritismo, pelo seu caráter de uma fé racional, pode ser um grande instrumento para evitar-se tais situações e auxiliar quando essas fobias já se instalaram. Fugindo do sobrenatural e do maravilhoso, buscando os conhecimentos científicos, desmascara os medos, esclarece as dificuldades e a sua postura de promotora do autoconhecimento é mecanismo eficaz de tratamento, em muitas situações. Há ainda uma condição médica que tem se feito comum: o pânico, relacionada ao medo. A palavra vem do grego, relacionada com o deus Pan, representado metade homem metade cervo, que corria pelos campos assustando as criaturas desavisadas. Esse transtorno psiquiátrico grave seria uma condição de medo intenso, de surgimento súbito, sem nenhum motivo aparente, com repercussões físicas diversas, tais como taquicardia, falta de ar, sudorese fria e intensa das extremidades, impressão que vai desfalecer, acompanhada da sensação iminente de morte ou de se estar enlouquecendo, num processo sem volta. O mal estar é tão intenso que impede a criatura de ter qualquer raciocínio lógico e de realizar atividades produtivas, buscando auxílio médico de urgência pela sensações graves que a envolve. É motivo de muitas internações em serviços de tratamento intensivo. No campo biológico, estaria relacionado com alterações dos níveis de neurotransmissores. O tratamento prescrito envolve o uso de alguns benzodiazepínicos e antidepressivos, sendo também indicada a utilização da psicoterapia, em especial, de caráter comportamental. No entanto, mesmo o uso de prescrições corretas e por tempo adequado não são suficientes. Alguns pacientes não conseguem melhora, outros apresentam recaídas importantes, apesar de todos os esforços feitos por profissionais sérios e dedicados. Diante de situações como essas, desafiadoras da prática médica, deparamos com quadros cuja a maior causa seria os traumas de vidas passadas, em especial, traumas de morte. Criaturas que sofreram intensamente para desencarnar, ou que foram enterradas vivas e, ainda, aquelas outras que permaneceram vinculadas ao corpo em decomposição após o desencarne, por condições já bem conhecidas dos estudiosos espíritas. Nesses casos, nossa experiência, como de outros colegas é bem clara: o tratamento indicado, associado a medicação, é a terapia regressiva. Sem a revivência desses traumas, a compreensão do porquê dos mesmos em suas vidas e a reprogramação de suas caminhadas, as demais medidas serão paliativas ou ineficazes. Encerrando nossas reflexões sobre um tema tão atual, gostaria de buscar no Mestre Jesus duas grandes lições sobre o medo. A primeira quando Ele afirma sobre aquilo a que verdadeiramente devemos temer: "E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; mas temei antes aquele que pode lançar no inferno a alma e o corpo.”(Mt., 10:28). E a segunda é quando ele nos ensina o verdadeiro e definitivo remédio para os medos que carregamos, ao dizer-nos: “Não turbeis os vossos corações. Crede em Deus, crede também em Mim.”(João, 14:1); reafirmando o que já havia nos concitado no Evangelho de Mateus(11:28): “Vinde a Mim vós que estais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei.” E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
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